quarta-feira, 27 de Agosto de 2014

A parábola dos 2 filhos pródigos

Na parábola dos 2 filhos pródigos-perdidos, por alguma razão o Pai esperou o regresso do filho libertino de braços abertos, fora de casa, para que o filho religioso não atrapalhasse, a fim de restaurar o libertino arrependido à condição de filho e jamais de seu escravo ou de escravo do filho religioso. Isto porque o filho religioso também era pródigo e esbanjador, pois tentava comprar e merecer o que era do Pai, jamais usufruindo a graça generosa do Pai; confiando apenas em seus méritos, esperando com seu trabalho de escravo vir a merecer o que era do Pai.

Alem de esbanjar a graça do Pai, rejeitando-a, o filho religioso tentava também esbanjar a graça que o Pai queria depositar no outro irmão. Ambos os irmãos eram pródigos esbanjadores, só que um o foi fora de casa e aprendeu a lição do Pai, enquanto o outro era esbanjador e pródigo dentro de casa e não aprendeu a lição da graça do Pai; sendo que era duplamente esbanjador e pródigo, rejeitando a graça em sua vida e na vida do irmão, o qual se dependesse dele, viveria na casa do Pai, mas como escravo de condição muito inferior à sua, como duplamente escravo, sendo escravo do Pai e seu escravo.

O Pai surpreende a ambos com a sua graça Amor, pois o Pai não é religioso, e quem nos ensinou isto foi o Filho Perfeito no Evangelho - Cristo Jesus! Glória ao Pai e ao Filho não religioso que é o Caminho!

 No fim, fora da casa do Pai, foi aprendida a lição por um dos filhos, enquanto dentro da casa do Pai, o outro nada aprendeu, porque o descobrir que se ama o Pai não depende de estar dentro da casa do Pai, uma vez que a memória presente do Pai é omnipresente na consciência do filho, onde quer que ele ande.

Esta parábola de Jesus acerca dos filhos pródigos, não é evangelistica como diz a maioria.
Esta parábola é profética, é Evangelho, sendo porção profética do Evangelho. Afinal Jesus é também o Profeta por excelência.

 Não é uma parábola evangelistica, mas antes é uma parábola profética que trata da doença dos filhos do Pai, um religioso legalista, e outro um libertino inconformado com escravidão, mas ignorante da graça, buscando a liberdade e gozo onde não existem. Afinal a religião não alegra nem salva.

O filho que saiu de casa aprendeu a lição e ao regressar-iniciar um movimento consciente de falência pessoal e de necessidade do Pai, experimenta arrependimento, o qual foi operado nele ainda fora de casa. O Pai o recebeu fora de casa, aprendendo ele com o Pai acerca da graça que alegra e salva, ainda fora de casa do Pai.

 Esta parábola era profética para o povo de Deus desviado. A parábola dos filhos pródigos é profecia para os 2 grupos de desviados e destituídos do amor e graça do Pai: - os religiosos e os inconformados com religião, mas ignorantes da graça pura do Pai. Esta parábola mostra como em Israel haviam 2 grupos de desviados: os pródigos pecadores - as meretrizes, os publicanos, toda a sorte e pecadores explícitos; e mostra o 2º tipo de desviados pecadores -  os fariseus religiosos legalistas - destituídos de consciência de Deus, sem amor, sem Deus, com pecado mascarado, vaidosos, ilusoriamente auto-suficientes, escravos, legalistas, etc...

Hoje acontece o mesmo, a parábola de Jesus alem de ser para Israel, ficou registada por Lucas quando a Igreja já se desenvolvia e nela temos o mesmo tipo de pecadores e desviados, uns dentro de casa pensando que estão bem, e outros fora de casa mas em processo de arrependimento...

Triste mesmo é a casa do Pai não ter condições para receber o filho que regressa, pois o filho religioso atrapalha, a ponto de o Pai o ter de receber fora de casa.
 Bom, muito bom, é o facto de que o arrependimento pode ser operado fora da casa do Pai, como foi com o filho devasso. Só o Pai, o Filho Perfeito Jesus e quem conhece seu amor e graça e portanto não é nenhum dos 2 pródigos, tem condições de restaurar seja quem for.

Só o Amor restaura. Quando o filho regressa, o Pai restaura-o de imediato à condição anterior de filho e desta feita mais explicitamente, para que o outro filho escravo em casa também aprenda a graça e amor do Pai.
O filho religioso dentro de casa do Pai escandaliza-se com a graça do Pai, pois a seu ver o filho devasso arrependido deveria ser apenas escravo e penar muito, ser bastante humilhado e provado, até merecer a condição de filho outra vez.

Assim são os religiosos. Ainda bem que Deus não é assim. Jesus não era e nem é assim, pois Ele restaurava as pessoas de imediato e isso não era evangelismo, era restauração do perdido que estivera na casa do Pai, pois afinal os israelitas eram povo de Deus.

 Esta parábola está viva hoje, fala hoje, a carne é a mesma, a natureza humana é a mesma, os pólos opostos e extremos são os mesmos: legalismo e libertinagem, sendo que o legalismo é mais resistente à graça enquanto o libertinismo é desesperado por graça, ainda que não a conheça.

No tempo de Jesus a liderança da casa do Pai era religiosa, não sabia restaurar os irmãos perdidos, pois também eles estavam perdidos, ainda que tivessem vidas maquilhadas pelo aparente serviço a Deus; que nada mais era que escravidão religiosa mercenária, que esperava paga por seus serviços e vir a merecer o quer que fosse de Deus, pela sua performance comportamental e litúrgica.

Os fariseus perdidos dentro da casa do Pai indignavam-se e escandalizavam-se com as Boas Novas Evangelho de Jesus quando este declarava a alegria do pai em receber e restaurar de imediato os pecadores da casa de Israel. Jesus alem de os restaurar, comissionava-os e chamava-os a uma santa vocação, como a Mateus.

Este proceder de Deus através de Jesus é louca e radicalmente revolucionário e contra todos os sistemas de religião baseados no mérito pessoal. Afinal os méritos e créditos são todos do Pai, dados através do Filho Perfeito na cruz.
A graça da cruz escandaliza os religiosos, que não aceitam o amor gracioso do Pai e nem aceitam que o pai o deposite nos irmãos libertinos arrependidos e que estavam doentes!
Na cruz, através do Filho Perfeito, o Pai espera pelos filhos arrependidos, na cruz que está fora das sinagogas e do templo de Jerusalém, na cruz onde Cristo Jesus saiu de casa e levou o escândalo do pecado sobre si mesmo.
Na cruz está o Pai de braços abertos atraindo a muitos!

Só a graça salva e pode EDUCAR a uma vida santa, conforme Paulo ensina a Tito.
Hoje a Igreja, precisa de aprender a viver graça na casa do Pai.
Talvez se lerem a parábola dos filhos pródigos sem a lerem como evangelística, mas antes interpretando-a como profética acerca das 2 condições de estar longe do Pai, talvez assim se arrependam.
O libertino estava perdido fora da casa do Pai. O legalista estava perdido dentro da casa do Pai.
Deus nos ajude a andar convenientemente na casa do Pai e no mundo, onde nada pode impedir a consciência da presença e operar de Deus!

 E disse: Um certo homem tinha dois filhos;
E o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda.
E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente.
E, havendo ele gastado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a padecer necessidades.
E foi, e chegou-se a um dos cidadãos daquela terra, o qual o mandou para os seus campos, a apascentar porcos.
E desejava encher o seu estômago com as bolotas que os porcos comiam, e ninguém lhe dava nada.
E, tornando em si, disse: Quantos jornaleiros de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome!
Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti;
Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus jornaleiros.
E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.
E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti, e já não sou digno de ser chamado teu filho.
Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa; e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão, e alparcas nos pés;
E trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos, e alegremo-nos;
Porque este meu filho estava morto, e reviveu, tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a alegrar-se.
E o seu filho mais velho estava no campo; e quando veio, e chegou perto de casa, ouviu a música e as danças.
E, chamando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo.
E ele lhe disse: Veio teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo.
Mas ele se indignou, e não queria entrar.
E saindo o pai, instava com ele. Mas, respondendo ele, disse ao pai: Eis que te sirvo há tantos anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me com os meus amigos;
Vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou os teus bens com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado.
E ele lhe disse: Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas;
Mas era justo alegrarmo-nos e folgarmos, porque este teu irmão estava morto, e reviveu; e tinha-se perdido, e achou-se.

Lucas 15:11-32

Afinal, aprendemos assim de Jesus, que a casa do Pai é sobretudo nossa consciência da graça do Pai, o que deixa implícito que a casa do Pai somos nós, nossa consciência, nosso coração, nosso ser...

J.P. Maia, a 27 de Agosto de 2014, feliz por já ter percebido que religião não salva e que libertinagem é desespero de graça procurando liberdade no sitio errado; jubilando pela graça do Pai, reencontrada fora do que chamam de casa do Pai, no mundo, que é estrado de seus pés assim como tudo o que se chama de casa do Pai, continuando a sonhar com a possibilidade de se viver em todo o mundo com boa consciência, inclusive no que é chamado de casa do Pai, desejando o fim da religião.


sexta-feira, 22 de Agosto de 2014

A Teologia e Visão de Deus na Igreja em Antioquia - Actos 13:1-3




                      A Teologia e Visão de Deus da Igreja avivada - Actos 13:1-3

E na igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e mestres, a saber: Barnabé e Simeão chamado Níger, e Lúcio, cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes o tetrarca, e Saulo.
E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.
Então, jejuando e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram. Actos 13:1-3

Igreja em Antioquia, é a mesma ontem, hoje e eternamente.

A ultima vez que estive com a igreja, oramos, foi muito bom! Que Deus traga até nós o Espírito que estava sobra a Igreja de Antioquia

A verdadeira teologia revelada na cruz, é a mesma ontem, hoje e eternamente: Deus é amor... 

E a verdadeira visão do líder de Deus é a de Jesus, que é crucificar seu ego e certificar-se que dá tudo de si aos irmãos, a fim de que estes façam obras maiores que as suas, pois mesmo que tal não venha a acontecer, a motivação é essa e é processual, pois foi Jesus quem disse: Quem crê em mim fará ainda obras maiores que as minhas.

 Jesus afirmou aos seus discípulos que nEle creram que iria para a cruz, e depois para o Pai, para que lhes deixasse de seu Espírito, a fim de que nEle fizessem obras maiores que as dEle.
 E assim foi, pois nEle foram mais longe e pregaram a mais gente e serviram a mais gente.

 Era o que Paulo o imitador de Cristo fazia, levantando gente em sua vida, para servirem outros e levantarem outros, sempre assim sucessiva e processualmente, em Cristo.   

Assim dizia o apostolo João: E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor; e quem está em amor, está em Deus, e Deus nele. 1 João 4:16
Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor. 1 João 4:8
No amor não há temor, antes o perfeito amor lança fora o temor; porque o temor tem consigo o medo, e o que teme não é perfeito em amor. 1 João 4:18
Amados, amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. 1 João 4:7
Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. 1 João 2:15
E dele temos este mandamento: que quem ama a Deus, ame também a seu irmão. 1 João 4:21
Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados. 1 João 5:3
Ninguém jamais viu a Deus; se nos amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor. 1 João 4:12
Mas qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Deus está nele verdadeiramente aperfeiçoado; nisto conhecemos que estamos nele. 1 João 2:5
Conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos. 1 João 3:16.
Nisto se manifestou o amor de Deus para connosco: que Deus enviou seu Filho Unigénito ao mundo, para que por ele vivamos. 1 João 4:9
Nisto é perfeito o amor para connosco, para que no dia do juízo tenhamos confiança; porque, qual ele é, somos nós também neste mundo. 1 João 4:17
Aquele que ama a seu irmão está na luz, e nele não há escândalo. 1 João 2:10
Vede quão grande amor nos tem concedido o Pai, que fôssemos chamados filhos de Deus. Por isso o mundo não nos conhece; porque não o conhece a ele. 1 João 3:1
Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo, é nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou também ama ao que dele é nascido. 1 João 5:1
 Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama a seu irmão permanece na morte. 1 João 3:14
Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? 1 João 4:20 

Quem ama tem teologia (ciência de Deus)! Teologia do Dogma exclusivo do amor - verdadeiro conhecimento de Deus, pois Deus é amor. E a partir desta verdadeira teologia, quem a tem, deve de crescer no conhecer-encarnar este amor; vivendo para ser-manifestar o que é, em amor, e jamais para auto-promoção e invalidar-nulificar o próximo...

Neste sentido, todo o que ama é verdadeiro teólogo, sabe-se amado e ama, não é inseguro com os dons dos irmãos, pois sabe que todos somos amados e temos o mesmo valor, sabe que todos somos o mesmo corpo, de modo que cada membro é encorajado por todos os demais a ser livremente o que é em Cristo. Só Jesus é o Cabeça! No entanto isto não invalida de forma alguma a existência de liderança, cuja função é servir os membros do corpo, para que estes sejam efectivamente o que são em Cristo, a fim de que desenvolvam seu potencial e assim ganhe todo o corpo com isso.

 Cristo Jesus, perfeito e perfeitamente Ungido, olhou para os imperfeitíssimos discípulos, e apesar de ser Ele a plenitude de Deus, confessou viver para se dar aos discípulos até á morte; dar tudo, para que os discípulos no Espírito fizessem maiores obras que as dEle  - Parece loucura mas esta é a visão do líder Cristo e de todo o líder verdadeiramente em Cristo sem ser pueril...

Assim, em Cristo, todos nós devemos crescer e ser líderes, ou seja, todos devemos chegar á maturidade de Cristo: ser servo, dando o que somos e temos, desde tempo, a energia, a recursos materiais e espirituais. Todos devem ser incentivados e encorajados a desenvolver seu máximo potencial, a fim de que usem seu potencial para servir outros e assim sucessivamente.

O único dogma teológico e teleológico de Jesus é o Ser-Amor.

E assim com esta consciência na Igreja de Antioquia era possível conviverem, comungarem e cooperarem vários líderes, desde vários mestres e profetas, a 2 apóstolos. Sim, imagine, na Igreja primitiva, em Antioquia, Barnabé, grande homem de Deus, um consolador, edifica a Igreja, mas decide enriquecê-la chamando Paulo, sem medo do potencial de Paulo, a fim de ambos cooperarem na mesma Igreja.

 E havia espaço para os 2. Como se não chegasse, Deus ainda levantou naquela igreja mais profetas e mestres!
Consegue imaginar? Na mesma terra e comunidade-Igreja, mestres e profetas tremendamente ungidos a cooperarem, sem medo uns dos outros, complementando-se, beneficiando assim toda a Igreja?!

Que coisa tremenda! Que sabedoria a deles! Que unção! Que chamado!
Que dedicação! Que humildade! Que serviço!

Só é possível isto quando quem lidera, como Cristo, como Barnabé, como Paulo, entende que foi chamado para imitar Cristo e morrer para os desejos carnais de brilhar sozinho, de ser a estrela, o rei, o papa, o sabão no meio de um povo que convém ignorante quanto baste, a fim de se manter sempre o iluminado.

Coragem e chamado visível não infantil têm aqueles que servem liderando-servindo, cooperando com todos os que desejam servir o próximo em amor, sejam de que confissão-denominação forem, desde que seu dogma seja o amor-serviçal.
Eu sonho com uma igreja assim. Na verdade isto é Igreja. E dou graças a Deus por conhecer pelo menos umas poucas pessoas assim.

Mais tarde de Antioquia, que tinha vários líderes-servos a cooperar sem vaidades e sem inseguranças, Deus separa Paulo e Barnabé para apóstolos. Que coisa linda, Deus separa o melhor, Antioquia separa o melhor para dar-enviar.

Uma Igreja-comunidade cheia do Espírito, que na mesma congregação tem tremendos homens com ministério da Palavra, sem se invejarem-morderem uns aos outros, mas antes cooperando uns com os outros; com vários profetas excelentes em Cristo a manifestar Palavra profética, assim como vários Mestres da Palavra a ensinarem o mesmo povo, sem sentirem espírito de competição ou insegurança uns com os outros!

Isto sim é Igreja avivada. Entretanto hoje clamamos por avivamento, pois clamamos por ver o Reino de Deus crescer! Mas estamos nós verdadeiramente dispostos a brilhar em Cristo cooperando com outros, ou queremos brilhar sozinhos sobre todos, com a falsa luz de lucifer, o lobo solitário?!

E na igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé e Simeão chamado Níger, e Lúcio, cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes o tetrarca, e Saulo.
E, servindo eles ao Senhor, e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.
Então, jejuando e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram. Actos 13:1-3

Antioquia! Igreja valente de Deus! Com certeza Paulo aprendeu muito com Barnabé, e com certeza Barnabé aprendeu com Paulo. E com certeza eles aprenderam com os outros profetas e mestres da Palavra na mesma igreja de Antioquia. Os mais novos aprenderam com os mais velhos e os mais velhos levantaram os mais novos sem também deixarem de aprender com eles. Todos cooperavam, os mais velhos levantando os mais novos, dando-lhes condições de serem  e manifestarem sempre em liberdade a consciência do que eram e criam em Cristo!

Deus Pai aviva o coração dos teus servos, fazendo deles luzes de Cristo e não falsas luzes luciferinas, e ajuda-nos a todos a entender que uma constelação de estrelas é incomparavelmente mais linda que uma estrela a brilhar sozinha!

J.P. Maia sonhando ser uma estrela de Jesus no meio de uma constelação de estrelas cujo único sol-astro maior é Jesus, 2014 anos, 8 meses e 22 dias da era da graça com poucas Antioquias...

sexta-feira, 18 de Julho de 2014

Mandala

MANDALA



Quero derrubar todas as mandalas humanas e queimar todas as falsas iconografias profanas,
Porque afinal apenas há uma mandala,
Realizada por deus em meu ser que não se cala...
Esta união do divino no humano,
Este círculo que funde a metafisica e o fenómeno
A física e o nómeno,
O transcendente e imanente,
A carne e o espírito,
O coração e a mente,
A treva e a luz,
O abraço gregário e a solidão da cruz,,,


É afinal uma mandala exclusiva,
Pintada por deus de forma indelével,
E gritada em todas as línguas-mudas para exprimir o inefável,,,
Esta mandala é representação simbólica dos anseios instintivos no Inconsciente colectivo,
Encarnação de todos os arquétipos-luz da sombra catapultados no Cognitivo,


Sim esta mandala é holística,
Salvando o passado, o presente e o futuro,
Transcendendo cronos e a falsa mística,
Vem balindo desde o eterno puro,
Trespassando o corpo a alma e o espirito,
Erigindo o ser e derrubando o muro,
E acontece na maternidade e natalidade,
Atingindo a plenitude na morte de toda a fealdade,
Esta mandala é uma família,
Eterno feminino e masculino,
Terno animus e anima,
Esta mandala é alfa e ômega,
Alef e tav,
Genesis e teleologia consumada da revelação,
Repulsa para todas as estéticas plásticas humanas das religiões,
Loucura para toda as teses cartesianas que não passam de sofismas-Opiniões,
Esta Mandala Louca como a quântica,
Escândalo para a ética da Lei e sua engessada semântica,
Esta mandala é um homem,
Esta mandala é um cordeiro,
Esta mandala é um leão,
Esta mandala é deus,
Esta mandala é judia,
Esta mandala é gentia,
Esta mandala é de todos,
Esta mandala é tesouro da ciência vera e sabedoria,
Esta mandala é alegria,
Esta mandala é de graça,
Esta mandala é simples,
Esta mandala não é de nenhum ismo,
Esta mandala é a cura para toda a psicologia e sociologia,
Esta mandala é causa do big bang ou outra teoria
Que se levante nas inúmeras lógias aquém do Logos,
Esta mandala é explosão e fiat de luz orgástica e cósmica,
Princípio de toda a vida, tendo morrido para si antes da matéria,
Esta mandala é astrolábio existencial,
É a Fénix ressurgida e a simplicidade do sagrado graal,
Esta mandala encarnou apenas em Jesus,
Sim, e em Cristo jesus, acontece toda a arte de viver,
Dum Renascimento de Adão protótipo exclusivo do humanismo-divino,
Esta mandala é uno no trino,
Esta mandala é o mistér
io oculto nos séculos,
Esta mandala é amor,
Divino e perfeito amor,
Incompreendido dos gnosticismos e da Cabala,
Magnifica e divina mandala,
Diante a qual meu ser estremece, se aquieta e se cala,,,
Glória pois á única Mandala,,,
Glória pois a Jesus, fruto eterno do amor entre o sagrado divino-feminino e divino-masculino,
Glória pois ao Cordeiro,
Glória á magnifica mandala representada histórica e tangivelmente na crucificação,
Da qual ressurgiu aquele que a todos nós na mente do Pai, sonhou-redimiu-pariu-aperfeiçoou-glorificou,,,
Gloria pois ao supliciado cordeiro que baliu esta consumado,
Gloria ao autor da mandala,
Gloria ao terno-eterno enamorado,
Gloria a Deus por tal mandala,,,


j.p. Maia em metamorfose no casulo consumado dentro do circulo perfeito da eterna mandala, no inicio demarço de 2013 depois da encarnação do cordeiro

Apenas uma vara na videira e sempre a ser limpa

 J.P. Maia, grato por ser apenas mais uma vara constantemente a ser limpa pelo Agricultor Pai, ligado á videira Jesus, para aprender a amar, para dar fruto do amor, em fins de Janeiro de 2014!

Cruz


A humanidade compreendeu o que era amar,
Quando alguém compreendeu que apenas a morte da morte poderia salvar.
Alguém deu vida morrendo em nosso lugar.
Pelos homens desprezado, envergonhado, humilhado,
Sangrado, trespassado e aniquilado;
Mas por Deus u
ngido e preparado para se ofertar.

Numa rude cruz, destituída de romance, sexo e amizade,
Alguém ensinou o que é o amor.
Naquela cruz alguém foi descoberta e oferta,
Fim da procura e cura,
Para os corações que queriam, mas não sabiam como amar.
Numa cruz sofrendo, alguém sonhou e cumpriu o mais lindo dos sonhos de Deus:
Ver a humanidade verdadeiramente amar e compreender,
Que amar é ofertar e aniquilar
O desejo de apenas incessantemente receber.
O amor venceu a morte e seu nome é Jesus.

J. P. Maia, em de Fevereiro de 2014, no deserto mas feliz e deitado, sobre o peito fofo de caracóis de lã do Cordeiro, que quis também por mim sangrar de amor, antes da fundação do mundo...

Como é que Isaías viu a glória do Cristo?


Isaías 6


No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi também ao Senhor assentado sobre um alto e sublime trono; e o seu séquito enchia o templo.


Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas; com duas cobriam os seus rostos, e com duas cobriam os seus pés, e com duas voavam.


E clamavam uns aos outros, dizendo: santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos; toda a terra está cheia da sua glória.


E os umbrais das portas se moveram à voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça.


Então disse eu: ai de mim! Pois estou perdido; porque sou um homem de lábios impuros, e habito nomeio de um povo de impuros lábios; os meus olhos viram o rei, o Senhor dos exércitos.


Porém um dos Serafins voou para mim, trazendo na sua mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz;


E com a brasa tocou a minha boca, e disse: eis que isto tocou os teus lábios; e a tua iniquidade foi tirada, e expiado o teu pecado.


Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: a quem enviarei, e quem há-de ir por nós? Então disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim.


Então disse ele: vai, e diz a este povo: ouvis, de fato, e não entendeis, e vedes, em verdade, mas não percebeis.


Engorda o coração deste povo, e faz-lhes pesados os ouvidos, e fecha-lhe os olhos; para que ele não veja com os seus olhos, e não ouça com os seus ouvidos, nem entenda com o seu coração, nem se converta e seja sarado.


Então disse eu: até quando Senhor? E respondeu: até que sejam desoladas as cidades e fiquem sem habitantes, e as casas sem moradores, e a terra seja de todo assolada.


E o Senhor afaste dela os homens, e no meio da terra seja grande o desamparo.


Porém ainda a décima parte ficará nela, e tornará a ser pastada; e como o carvalho, e como a azinheira, que depois de se desfolharem, ainda ficam firmes, assim a santa semente será a firmeza dela.




Por isso não podiam crer, então Isaías disse outra vez:
Cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes o coração, a fim de que não vejam com os olhos, e compreendam no coração, e se convertam, e eu os cure.
Isaías disse isto quando viu a sua glória e falou dele.
João 12:39-41


Isaías foi o profeta que mais e melhor contemplou a gloria do Cristo Jesus, conforme João constata. Isaías viu sobretudo como ninguém Cristo Jesus em sua glória de cordeiro encarnado, revelando o amor-essência de Deus e portanto a glória de Deus...

Extraordinários Os 4 cânticos do servo sofredor em que Isaías contempla o Messias e seu ministério, morte e ressurreição...

Mas não foi sempre assim...Isaías começa a contemplar a glória de Deus e de seu Cristo a partir do capítulo 6 da colectânea de suas profecias: o livro de Isaías...

Isaías começou seu ministério cedo, era um jovem profeta com acesso à presença do rei, pois Isaías era da família da casa real de David...

Quando Isaías começa a ministrar é rei o piedoso e ungido rei Uzias.

Ora o rei Uzias foi verdadeiramente ungido de Deus. Uzias governou bem a Israel e foi homem piedoso. 
Liderou o povo em adoração a Deus e a nação prosperou.

No entanto no fim de seu ministério, conforme se pode ver nos livros  reis e crónicas, Uzias tornou-se orgulhoso.
Uzias fora ungido como rei e não como sacerdote e/ou profeta.

Já no fim da vida e do reinado, Uzias orgulhoso, tentou usurpar o ministério-função sacerdotal e caiu doente por isso e morreu disso mesmo, corrigido por Deus.

Com certeza teve tempo de se arrepender e está com Deus. Foi homem piedoso e líder verdadeiramente muito usado por Deus, mas no fim da vida tornou-se orgulhoso, tendo Deus corrigido-o e ele morreu. Mas sem tragédia, morreu, mas tendo-se arrependido estará com Deus, sendo que estas coisas serviram de ensino para nós.


É que basicamente havia 3 ministérios-funções principais de liderança ao povo de Deus na Antiga Aliança e portanto 3 unções: rei, profeta e sacerdote.

Os reis eram da linhagem de Judá e da casa de David. Os sacerdotes eram da linhagem de Levi e os profetas eram de qualquer tribo, como apontamento de deus profético para o futuro do dom espiritual distribuído sem acepção de pessoas, na plenitude dos tempos na Nova Aliança.

Mas cada "macaco no seu galho".Cada um devia apenas ministrar de acordo com seu chamado. Se rei, que reine, se sacerdote, que interceda. Se profeta, que profetize.

Por vezes Deus chamava para profeta um sacerdote, como Ezequiel ou Jeremias que eram levitas, porque eram sacerdotes apenas por genética e pedigree, mas eram profetas por verdadeiro chamado e apontamento espiritual, mostrando isso que Deus começava a revelar o chamado espiritual, em detrimento da capacitação apenas natural e genética do individuo; manifestando Deus já na Antiga Aliança levita os princípios do chamado do sacerdócio eterno da ordem de Melquisedeque, em que o individuo é chamado directamente por Deus e ungido com uma missão, sem ter genealogia de sacerdote ou rei.

Apenas um rei foi profeta e sentiu-se á vontade e com consciência pura para usufruir das liberdades e funções de sacerdote: o rei David. O rei David era tipo de Cristo, sacerdote da ordem de Melquisedeque, com pedigree de Judá, mas com ascendentes gentílicos como Rute e Raab, cuja consciência projecta no salmo 110 e que em si é também profética de Jesus, o filho de David mas sobretudo ele foi chamado proféticamente.

 David foi excepção.
Uzias usurpou funções que não eram suas.

Ele fora uma bênção e a referência maior de sua geração, inclusive para o jovem Isaías.

Isaías admirava-o como homem de Deus.

A referência maior da vida de Isaías era até então o rei Uzias.

Isaías tinha como referência de piedade e espiritualidade o homem Uzias.
E isso é uma tremenda limitação.

O pecado de Uzias demonstra que Deus detesta e abomina que os seus líderes caiam na ilusão e arrogância de quererem liderar e servir o povo sozinhos, pois mesmo David que excepcionalmente era rei e profeta e sentia-se á vontade no meio dos sacerdotes, ainda assim precisava da colaboração de outros profetas, e de que maneira.

 A Antiga Aliança é uma sombra da Nova e já nela o modelo de liderança de Deus é plural. Deus nunca quis um homem a liderar sozinho. Deus nunca distribuiu a visão espiritual e seus dons como exclusividade num só homem.

O poder perverte e por isso os dons e a liderança devem ser exercidos na pluralidade e na mútua prestação de contas. Por isso Natã o profeta complementava e salvaguardava a vida e ministério de David. 

E os sacerdotes intercediam por todos.

A loucura de um homem a liderar sozinho é da essência do anti-Cristo e portanto de satanás.
O próprio Deus lidera em pluralidade, pois é uma pessoa de 3 indivíduos e decide as coisas em beneplácito do conselho dos 3. E os 3 exercem a liderança como família em amor.

Ora hoje na verdadeira igreja de Deus que não é tirãnica é semelhante. A liderança não é instituída, mas antes é de aceitação espontânea dos liderados que reconhecem o exemplo serviçal e o dom competência dos líderes.
 A liderança da verdadeira igreja de Deus não tirãnica, mas antes é plural. É um presbitério, ou seja, um conjunto de homens com carácter serviçal e com dom da Palavra.

O carácter trabalha-se, e pode ganhar-se e perde-se, se for o caso. E pode perder-se e ganhar-se, se for o caso, mas deve ser mantido acima de tudo, para o bem de todos. O líder se perder carácter, pode e deve no Reino da graça de Deus, ser restaurado para seu beneficio e de outros, pois o propósito de Deus deve vencer e não as astucias de satanás, cujos ardis conhecemos com o mesmo Espírito que estava em Paulo.

Mas o dom não se adquire por seus méritos e nem se perde por seus deméritos, pois é algo dado por Deus ao individuo para servir. A liderança de Deus na igreja plena de verdade é plural com 4 ministérios da Palavra: apóstolos - profetas - evangelistas -pastores e mestres.

E não existe hierarquia entre eles. Complementam-se e admoestam-se e encorajam uns aos outros.
A palavra dom, é charisma no grego, cuja origem vem de charis, graça, sendo os dons algo dado pela graça do favor imerecido de Deus e pelos méritos de Cristo e jamais pelos méritos e performance natural daquele que o recebe.

Ora o erro de Uzias foi não perceber isso.

A tendência da carne e do ego é querer estar sozinho. São necessários os 4 dons da Palavra e sua complementaridade e exemplo-imagem da Trindade líder...

Uzias foi arrogante. Mas antes foi grande e piedoso líder.

Antes de Uzias morrer e portanto antes do capítulo 6 de Isaías, o profeta jovem já exercia seu ministério e se você reparar ele exorta e admoesta o povo sempre dizendo: ai de ti, oh tu... 

Isaías via bem a degeneração do povo em geral, mas não via a sua e nem a do rei, porque eles eram pessoas piedosas. Porque Isaías era piedoso e tinha o rei como referência piedosa. Isaías vendo-se a si e a Uzias como piedosos, tinham bom comportamento e porque tinham bom comportamento julgavam inconscientemente ser muito bons. 

Tinham o sentimento dos fariseus que julgavam ser perfeitos. Por isso só dizia: ai de ti, oh tu...

Os modelos de liderança das estruturas católicas e das protestantes que saíram das católicas, são modelos hierárquicos do império romano, de um césar sozinho no topo hierárquico à frente do povo e tal é satânico...

Quando o rei Uzias morre, Isaías proféticamente apercebe-se da desgraça eminente e de que reis ímpios virão e de que Israel sucumbirá.
Por isso mesmo, por essa sensação de desgraça eminente e porque ele mesmo se sente órfão de referência de piedade, vemos como no início do capítulo 6 ele está transtornado e angustiado pela morte de Uzias. 

A grande referência de piedade dele caiu e ele jovem ficou sozinho e confuso. É um perigo ter como referência de piedade exclusiva um ser humano. Os seres humanos por mais piedosos que sejam, são imperfeitos e susceptíveis de cair e mesmo que não caiam como Uzias caiu, ainda assim nunca são perfeitos e portanto são limitados como referência. 
O problema é que quando homens se tornam referências exclusivas de piedade, a referência dos liderados é limitada, não é cristocêntrica e tal é mau para todos.

O homem tende instintivamente a preferir referências limitadas e falidas, desde que apresentem virtudes, pois tal é algo anti-cristo, é algo da carne e que habita em nós desde a queda do éden...

Uzias caiu e Isaías confuso e angustiado, ainda assim tem o bom senso de buscar a Deus e vai então até ao templo de Salomão e no templo orando vê a glória de Deus sobre o trono. Uzias morreu e está vago o trono real, mas Deus reina, Deus está no trono que gere o cosmos, quanto mais a Israel. 

Não era o trono de David e nem sequer o trono da arca da Aliança...
É Que o templo e o tabernáculo eram figuras simbólicas e proféticas de Cristo Jesus e de sua obra e eram portanto figuras do templo celestial, sendo que é isto mesmo que Isaías contempla.


Pela primeira vez Isaías contempla o próprio Deus e deixa de ter como imagem de piedade um ser humano limitado como Uzias e apenas a ética de um vivente humano, para passar a ter como imagem de referência a perfeição do próprio Deus e a loucura supra-ética da graça do amor do Cordeiro.

Diante de tanta perfeição Isaías apercebe-se de sua imperfeição e clama: ai de mim, que sou um homem impuro e perdido no meio de um povo de impuros lábios.
Diante de toda a glória e perfeição de Deus, Isaías deixa de dizer: ai de ti, e passa a dizer ai de mim.
Isaías deixa de ver apenas o povo como impuro e passa a ver também a si mesmo e a todos os homens, como impuros, vendo a universalidade da queda do homem e a distância abissal entre qualquer homem e Deus; pois por mais piedoso que um homem seja, jamais será perfeito e nele sempre haverá impureza.

Pela primeira vez Isaías deixa de se comparar a si, homem de ética da lei e bem-comportado, com o povo desviado e por isso sem ética da lei e mal-comportado. É que assim é fácil sentirmos-nos bons e piedosos e inconscientemente perfeitos, se nos compararmos a quem aparentemente é mais mal-comportado que nós.
Mas quando nos comparamos ao próprio Deus que é quem é a referência absoluta e nosso alvo, assim como nossa bitola, ai ai de mim e só depois ai dos outros...

E quando Isaías ganha consciência de suas limitações, vulnerabilidade e impiedade apesar de seu esforço para cumprir a lei, apenas então ele experimenta a graça de Deus. Isaías sente-se impuro e que seus lábios pregadores e proféticos haviam sido impuros e a sua cura e purificação-redenção vem precisamente das brasas do holocausto do cordeiro de Deus, imolado no altar de bronze...

Ele apercebe-se da graça da cruz e a partir daí ele entende a revelação de Deus e sua glória louca de amor gracioso e redentor-salvador... Então doravante ele passa a ver a impiedade do povo e sua queda-correcção, mas acima de tudo vê a consolação da futura redenção-salvação de Deus através da graça do Cordeiro servo supliciado conforme os 4 cânticos do Servo ungido nos capítulos 42, 49, 50, 52-53...

Isaías viu o Evangelho e seu Messias...Isaías Viu a graça de Deus. Isaías viu a glória do Cristo.
Isaías aprendeu a lição e quando chegou a velho não caiu como Uzias e foi fiel até á morte, pela radical conformidade ao evangelho que profetizou, sendo por isso martirizado de forma atroz, serrado ao meio, pela fé, conforme vemos na epístola aos Hebreus acerca dos heróis da fé...

Então é bom ter referências humanas de Deus, mas nunca deixá-las tomar o lugar de Deus e também nunca deixar que elas sejam referências únicas. Devemos ter consciência de que Deus deu dons aos homens e não um pseudo-messias como dom aos homens; sendo que nesse sentido devemos perceber-usufruir de todos os dons de Deus dados á igreja não institucional e sim verdadeiramente espiritual.

Com certeza alguns homens de Deus são mais referência e mais maduros e mais usados, mas de certeza também são limitados em carácter e em dom para oferecer ao povo, pelo que devemos sabiamente ser gratos a Deus por todos dons que deus nos dá e usufruir de todos.

Não devemos ser um império romano católico, uma pirâmide religiosa protestante, uma zigurate de um qualquer deus-caído-humano...
Vamos discernir a Deus na vida uns dos outros. Vamos receber o que Cristo nos dá, depositado na vida do nosso próximo irmão. Não façamos acepção de pessoas, pois tal prejudica-nos a nós e prejudica esses adulados tentando-os ao pseudo-messianismo...

Vamos discernir o que Deus depositou em nossa vida e vamos dá-lo aos outros. Vamos discernir o que Deus depositou na vida de outros e vamos recebê-lo, nem que seja de uma criança ou da burra do Balaão...
Vamos ter como único autor e consumador de nossa fé o Messias...

Vamos dar graças a Deus pelas brasas do holocausto do Cordeiro que nos purificam e nos permitem ser enviados ao caminho e gritar acerca da graça do evangelho de Deus, ainda que como aconteceu com Isaías, os ouvintes não ouçam de verdade e vendo não vejam, mas vamos fazê-lo, sem acepção de pessoas, contemplando o Senhor apenas num alto e sublime trono, o Senhor que foi coroado no altar de bronze, na cruz do calvário.

Sim, ele senta-se no alto e sublime trono da arca da Aliança, porque antes se sentou amarrado no altar de bronze, ele senta-se no trono celestial á destra de Deus porque se deitou na cruz...

Não busquemos a glória dos homens como regista João em seu evangelho, escrevendo para nossa lembrança o que Jesus afirmou acerca das gentes de seu tempo...

Vamos buscar apenas a glória do Deus que não faz acepção de pessoas e a todos chama de filhinhos...

Vamos conhecer a Deus e ter tudo o resto estimado como apenas refugo, esterco e imundície... 

Nada se compara a conhecer verdadeiramente a Deus e não aos homens limitados e falidos de Deus.
Vamos no ide... A caminho... No Caminho...

Nada se compara a conhecer a Deus...

J.P. Maia, a meio da tempestade, contemplando o Senhor num alto e sublime trono em Fevereiro de 2014.

Apenas o amor deve constranger-ensinar-motivar os que caminham com Jesus


O que é que nos constrange, ensina e motiva a fazer o Bem e sobretudo a ser melhores?

Será o medo que nos constrange a mudar, a fazer o bem, a ser melhores?

Será o medo do juízo, do inferno, da vara?

Se assim for, a pedagogia divina que usufruímos é ainda a de meninos, conforme Paulo diz aos Galatas, quando afirma que a Lei e sua severidade e medo incutido, era como um pedagogo divino, um aio, para conduzir Israel a Cristo!

Se já estamos em Cristo, já deixámos a justa e santa Lei com sua pedagogia do medo para infantis!

Segundo o mesmo Paulo, se já estamos em Cristo, é o Amor que nos constrange!

Se estamos em Cristo, é a pedagogia da graça que nos educa, como também Paulo diz a Tito!

Ora quem está em Cristo conhece a Cristo e conhecendo a Cristo conhece a Deus e conhecendo a Deus conhece o seu amor louco, imerecido e radical! 

Se estamos em Cristo aprendemos constrangidos pelo Amor, ou seja, nossa consciência grata por tão grande e radical amor imerecido por nós, sente-se impelida em todo nosso psiquismo racional e emotivo, a imitar o Deus-Amor!

Se o que nos ensina é o medo, ainda estamos na boa Lei, como meninos ainda a ser conduzidos a Cristo!

Se ainda ensinamos e agimos para com os outros em dinâmicas do medo, severidade e baseados apenas em méritos ou deméritos, em vãs comparações, ainda somos vasos da justa e santa Lei, mas ainda não somos vasos de Cristo!

Ora ninguém muda de um dia para o outro! Ninguém passa da Lei para Cristo instantaneamente, salvo raríssimas excepções como Paulo! 

A maior parte dos seres humanos percorrem um caminho processual de bebés para infantes e de infantes para adultos maduros! 

Por isso não será totalmente estranho sermos por vezes conduzidos pelo medo e outras pelo Amor!

Mas em Cristo é retirado o véu, pelo que deixamos de apenas vislumbrar e intuir Deus a mover-se atrás do véu, para passarmos a vê-lo clara e lucidamente, constatando seu rosto de Amor, já sem a voz terrível do Monte Sinai!

Ora Paulo não sabia disto sozinho, pois João dizia que Deus é amor e que o perfeito conhecimento de Deus lança fora todo o medo!

Se ainda temos medo, ainda não conhecemos perfeitamente a Deus!

Falo por mim, conduzo-me sobretudo sabendo que Deus é amor e esforçando-me por assimilar tal amor, mas por vezes sou assaltado no chão da vida pelo medo que brota da santa e justa Lei!

Não sou perfeito, pelo que a Lei condena-me e por vezes sinto-me aterrorizado, como estivesse no sopé do Sinai, em especificas situações da vida!

Teólogos que não sabem, não se movem, nem ensinam a outros em Amor, não são verdadeiros teólogos, pois não conhecem perfeitamente a Deus!

Teólogo é todo aquele que conhece que Deus é Amor no chão da vida, nos dolorosos momentos e circunstâncias em que tudo á nossa volta parece aterrador!

É uma caminhada esta vida, sendo que convém caminhar no Caminho, seguir Jesus no chão da vida, nas circunstâncias da vida, acompanhado dos irmãos da mesma caminhada de quem vai na peugada do Cristo-Amor; para partilhar essa mesma vida e testemunhar com os mesmos manos, que não há razão para ler as circunstancias adversas da vida como se estivéssemos no terrível sopé do Monte Sinai!

Que O Espírito que derrama o amor de Deus em nossos corações nos ajude a conhecer perfeitamente a Deus e consequentemente a conduzirmos-nos a nós e a ensinarmos a manos aterrorizados, que é o Amor que nos conduz pelo vale da sombra e da morte, perseguindo-nos sempre, com benignidade e misericórdia!

Deus, levanta-te e ajuda-nos a saber na vida, que tu és Amor, ensinando-nos a lançar fora todo medo e a ficar definitivamente debaixo da tutela pedagógica do Mestre Jesus-Amor!

Senhor Espírito de Deus consola-nos e faz-nos deixar definitivamente o aio do medo da justa e santa Lei, bem como assim do fluxo legalista dos méritos-deméritos nossos e de nosso próximo!

Pai, ajuda-nos a ser Varão perfeito, pelo perfeito conhecimento do teu amor, para que vivamos com saúde e sem fobias!

Jesus perdoa-nos porque por vezes contemplamos teu rosto ainda com um véu!

Irmãos, perdoemos-nos mutuamente porque muitas vezes caminhamos juntos sem amor e com medo, seja conduzidos pelo medo, seja olhando os outros com medo, seja não amando e libertando os que sofrem o medo; ou até mesmo não respeitando o processo e estação da vida de nosso próximo, exigindo que este tenha já caminhado o mesmo que caminhámos nós!

Irmãos, olhemos-nos em amor e sejamos uns para os outros chão do amor, compreendendo os medos de cada um, mas revelando o amor, que é verdade com amor, sem exigir que ninguém tenha já caminhado tantas milhas quanto nós.

Irmãos respeitemos-nos e amemos-nos mutuamente, aceitando a caminhada que cada um já fez, seja ela longa ou curta, esteja o nosso próximo em circunstância terrível ou serena; mas sem nos compararmos, sem vaidades de gente insegura pelo medo da Lei, que ainda vive subtilmente aterrorizado, tendo necessidade de se sentir melhor que o próximo comparando-se a ele!

Graças Pai pela vida e pelo privilégio de seguir a Cristo na caminhada da descoberta do Amor!

Graças Pai, pois a Lei deixará de ser nossa tutora definitivamente!

Graças Consolador, pois teu amor nos constrange a deixar a infantilidade do medo, processual e pacientemente!

Louvado sejas Deus, porque tua misericórdia sempre triunfa diante do juízo de tua Lei, deixando despojado o diabo-acusador !

Obrigado Christus Victor, pois nada nos poderá separar do aprendizado total de teu amor!

Obrigado Jesus Emanuel, pois sempre estás presente, preparando a mesa da ceia para contigo comungarmos ousadamente, diante de todos nossos fóbicos inimigos, na celebração alegre de ver o cálice da salvação sempre a transbordar!

Graças Pai, graças pelo cálice da salvação que não poderíamos beber se Teu Filho não tivesse bebido o cálice
das nossas amarguras!

Graças maravilhoso Senhor!


J.P. Maia. nos idos de Fevereiro de 2014, fugindo da infantil pedagogia da justa e santa Lei para seguir a Cristo...