sexta-feira, 26 de junho de 2015

As 7 igrejas de Apocalipse, porque Jesus em breve virá

Sim, as cartas ás 7 igrejas tudo indicam que não sejam apenas cartas descrevendo igrejas que existiam na época do apóstolo João, mas também apontam para as sucessivas eras na história da igreja. Essas eras retratam a condição geral das igrejas nessas mesmas eras, ainda que houvesse excepções.



1. ÉFESO mergulhou em um estado de apatia por ter deixado seu primeiro amor (Jesus). Cronologicamente falando representa a igreja do primeiro século, na qual já nas Escrituras é possível encontrar desvios, pois João insta Éfeso onde pastoreou acerca do amor como essência de Deus, assim como Paulo aos efésios fala de que eles não estão a entender ainda a revelação de Deus como amor; sendo que Paulo a Timóteo, que se encontra em Éfeso a orientar a igreja, recebe instruções de Paulo para combater o legalismo em Éfeso e notifica que os crentes são já amantes de si mesmos. - igreja nascente Pentecostes - 100 d.c.

2. ESMIRNA não recebeu reprovação, mas consolo por ser perseguida pelo que era. Representa o período do primeiro ao quarto século, quando a igreja sofreu perseguição dos imperadores romanos e ama Deus até á morte, com crença verdadeira, em autêntico amor incondicional a Jesus, discipulado radical. igreja perseguida - 100 d.c. - 313 d.c. (édito de Milão).

3. PÉRGAMO fez uma aliança com o mundo e suas instituições, colocando-se à sombra do poder secular. É o inicio da institucionalização da Igreja. Passou a sentar-se no trono do mundo secular, onde está o trono de seu príncipe, Satanás. Também tem no seu meio pessoas com o espírito de Balaão, que visava lucrar com as coisas de Deus fazendo tropeçar o povo de Deus em idolatria. Também tem um embrião de clericalismo (doutrina dos nicolaítas). Representa o quarto e quinto séculos, quando o cristianismo foi transformado em religião oficial pelo império romano por iniciativa do imperador Constantino. - nascimento da igreja católica em 313 d.c. (Constantino) - século V d.c.

4. TIATIRA é a expansão e domínio absoluto da idolátrica igreja católica, que ainda assim é de Deus. Tem muito amor, serviço, fé, paciência e muitas obras, porém permite o ensino errado (uma mulher ensinando idolatria e uma mulher como representação exclusiva do divino). Também se prostitui, ou seja, se corrompe e contamina em troca de favores, na ausência da graça do Evangelho, no inicio de doutrinas em que a salvação e os favores divinos são supostamente comprados por obras e dinheiro. Representa o período do século 6 ao 15, o domínio do catolicismo romano (a "mulher" - igreja - que ensina e estimula idolatria). Vai até o advento do protestantismo. crescimento e expansão do catolicismo, sendo cerca de um milénio, um milénio com características anti-Cristo, por pretender ser a consumação do Reino de Deus sem o ser. - ´seculo V d.c. - século XV d.c.

5. SARDES tem nome de que vive, mas está morta. Parece ter feito coisas boas, mas também se deteriorou por ter se afastado do que tinha recebido e ouvido e não ter acabado de matar as coisas católicas, ficando-se apenas pelo traduzir da bíblia e pela limpeza da idolatria com pregação de salvação pela graça de Deus. Mas não reformou aquilo que deve ser a Igreja bíblica. Não anseia pela volta do Senhor, tanto é que será surpreendida por Ele como se fosse um ladrão inesperado. Representa o período do século 16 ao período pós reforma, quando a própria luz do protestantismo perdeu seu brilho e sobretudo porque o protestantismo manteve características católicas de hierarquia, clero vs leigos, dependência do estado alemão, como novo constantinianismo e subserviência a um trono secular, que é sempre do principe deste mundo: satanás. Da protestante sairão 2 igrejas: Filadélfia e Laodiceia. - Reforma protestante - século XV d.c. - séuclo XVI d.c.

6. FILADÉLFIA também não recebe reprovação, origina-se da igreja protestante e de outras anabatistas e outras espontâneas de Deus, caracterizando-se pela igualdade, liberdade no Espírito, ausência de hierarquias, com liderança serviçal e muito amor. Apenas recebe consolo e a certeza de que tem diante de si uma porta aberta, apesar da pouca força, porque tem apego à Palavra e ao nome de Jesus. Durante os séculos 18 e 19 ocorreu um reavivamento e um resgate das verdades há muito esquecidas, como o arrebatamento da igreja e a importância do nome do Senhor como centro de reunião. É também a igreja dos reavivamentos históricos com missões, é frágil e vulnerável, confiando por isso não em si mas sim no Senhor. - século XVI d.c. - até ao arrebatamento.

7. LAODICEIA é também originaria da protestante, sendo o oposto de Filadélfia, pois enquanto Filadelfia se torna melhor que Sardes, Laodiciea torna-se ainda pior que Sardes, com suas doutrinas legalistas e de prosperidade, com muita arrogância, falta de humildade e singeleza e completa ausência de generosidade e fervor pelas missões. Tem tudo de mau e nada de bom: mornidão, justiça própria, interesse em lucro, contaminação (por isso é exortada a comprar vestes brancas). O Senhor está do lado de fora buscando a comunhão individual, já que colectivamente Laodiceia é um desastre (o versículo "estou à porta e bato" é muito usado em evangelismo, mas ali não se trata de evangelismo e sim de resgate da apostasia, pois fala de comunhão com alguém que já crê). Laodiceia representa os últimos dias e o início da apostasia. - Século XX d.c. - até ao arrebatamento.

 O arrebatamento vem tipificado em seguida, no capítulo 4:

Apocalipse 4:1-2  Depois destas coisas, olhei, e eis que estava uma porta aberta no céu; e a primeira voz que, como de trombeta, ouvira falar comigo, disse: Sobe aqui, e mostrar-te-ei as coisas que depois destas devem acontecer. E logo fui arrebatado no Espírito, e eis que um trono estava posto no céu, e um assentado sobre o trono.

Em Apocalipse, Jesus tem 7 igrejas, sendo que algumas são parecidas ao catolicismo, cheias de idolatria e sentadas onde se senta satanás, que é no trono do poder político e secular institucionalizado! Estas igrejas são Pérgamo e Tiatira! Jesus denuncia o mal nestas igrejas idolátricas, mas reconhece também o bem e as boas pessoas que lá se encontram, com fé, amor e serviço aos santos! Depois constatamos isto na vida e história, vendo Francisco de Assis, Dorothy Day, Pre Antonio Vieira, Mdre Teresa, entre muitos outros!

Também temos igrejas mais ortodoxas, institucionalizadas também, como Éfeso e Sardes, cheias de zelo doutrinal, mas sem amor, farisaicas, necessitando de confirmar a morte do ego; mas com gente boa lá dentro com amor e fé, reconhecidas e honradas por Jesus. Assim constatamos também na vida valentes protestantes como William Willberforce, Martin Luther King Jr, Bonhoefer, entre outros!

No entanto temos também igrejas como Esmirna e Filadélfia, que são igrejas sem repreensões, sendo por isso o modelo da igreja sadia, necessitando apenas de profecia que console e encoraje a não desfalecer! São igrejas simples, singelas, missionárias, fraternais, desinstitucionalizadas, sofredoras, generosas, sem glamour nem marketing, igualitárias, livres, sem elites... Assim se têm levantado alguns movimentos na história e pensadores como Tolstoi que impactou a vida de Gandhi e Martin Luther King Jr e posteriormente as sociedades americanas, indianas e sul-africanas...

Então o nosso modelo deve ser Filadélfia e Esmirna, as desinstitucionalizadas e fraternais!
No entanto como Jesus denunciamos o mal nas igrejas como Éfeso, Tiatira, Pérgamo, Sardes e Laodiceia – a carismática da prosperidade e mamom! Mas como Jesus também, reconhecemos o bem que há nestes meios e a gente boa com fé, amor e serviço aos santos! Jesus o reconheceu, a história o comprova e assim devemos ser nós!

Ora quem me conhece sabe que digo isto primeiro para mim e depois para meus manos: Devemos reconhecer o bem e o mal, alem de que digo isto em geral, pois no geral temos a tendência de ver apenas o mal; sendo ainda que quando quero dizê-lo de alguém especifico, digo a essa pessoa pessoalmente sem mandar recados, mas quando o invoco genericamente, é isso mesmo que faço, limitando-me a constatar a nossa tendência caída que só vê mal.

Quem me conhece sabe que assim sou e sabe como testemunho que padeci desse mal do protesto de ex-protestante!

Deus nos ajude a ser desinstitucionalizados e a perceber que devemos lidar directa, assertiva e amorosamente uns com os outros.

Tratamos do geral em geral, sem nomes, assim como do privado em privado, com os próprios se for o caso, pois assim é o Amor!

No demais é perdoar-mo-nos 70x7, que é numero em Daniel que representa toda a história futura da humanidade, ou seja, devemos perdoar sempre enquanto houver humanidade e história da humanidade, até que a história acabe quando Jesus voltar!

Visto isto amemos-nos uns aos outros, vejamos o mal e vejamos o bem. Sobretudo vejamos o bem, sem deixar de ver o mal que oprime a muitos!

Sejamos varonis e exortemos-nos privada e pessoalmente uns aos outros, sem hierarquias, sem pseudo sumo-sacerdotes intermediários! Não cedamos lugar á carne e institucionalidade, que não chama as coisas pelo nome e se usa de intermediários!

Maninhos, amemos-nos porque o amor é de Deus!Ele está prestes a voltar!

Apocalipse 4:1-2  Depois destas coisas, olhei, e eis que estava uma porta aberta no céu; e a primeira voz que, como de trombeta, ouvira falar comigo, disse: Sobe aqui, e mostrar-te-ei as coisas que depois destas devem acontecer. E logo fui arrebatado no Espírito, e eis que um trono estava posto no céu, e um assentado sobre o trono.

terça-feira, 12 de maio de 2015

O paradoxo do Anarka Senhorio de Cristo Jesus na mais perfeita comunidade anarka que já exitiu...





Porque apenas Jesus é o líder perfeito e único Senhor saudável ?! Bem o mundo é regido por poderes, reinos, impérios, caciquismos, estados republicanos, monárquicos, plutocratas, ditatoriais, etc, onde impera a hierarquia, a desigualdade, a ganância, etc. 
Todos nós nos apercebemos disto. Ora isto acontece porque a natureza do homem tende a amar-desejar poder, auto-promoção, auto-preservação, comodismo, estar acima dos outros, etc.

Esta tendência humana para se organizar com centralismos, hierarquias, desigualdades e suas consequentes injustiças colectivas, nascem como dizia Nietzsche, da fome de poder do homem. O homem é vaidoso e tende a querer escravizar, assim como os menos capazes tendem a deixar-se escravizar.

Ora esta natureza que tem definido as mais variadas sociedades ao longo dos séculos, foi sendo apercebida por alguns homens que buscavam a justiça e o bem. Entre eles estão os anarquistas, que perceberam a necessidade de igualdade e que esta só seria possível sem hierarquias, e que para que uma comunidade funcionasse sem hierarquias seria necessário haver uma consciência colectiva de liberdade, igualdade e bem-comum. O estado seria não só desnecessário, como seria sobretudo o elemento pervertedor. Mas o estado não é o elemento pervertedor. O estado é aspecto exterior e visível da consequência do elemento pervertedor da natureza intrínseca do homem em querer dominar o próximo.

Antes do inicio da historia humana, um anjo com funções importantes rebelou-se contra deus, querendo ser mais do que é, não entendendo o que é ser deus, quis ser deus e destronar deus, quis subir ao lugar de deus, porque em sua forma de pensar vaidosa estar na sua função era estar numa posição abaixo de alguém que era Deus.

Depois a humanidade inicia sua historia e é contaminada por este elemento vaidoso.

Na plenitude da historia, no século I de nossa era, Deus encarna, Deus faz-se homem, bebé, numa família humilde e pobre, nasce numa manjedoura, cresce, torna-se carpinteiro, membro de um povo invadido-ocupado-explorado à séculos. Este Deus-Homem é Jesus.

Jesus sendo Deus quis ser homem. Sendo Homem humilde, quis ser servo de todos, quis servir-amar o homem, veio para servir, para dar sua vida por todos. Em Jesus, Deus faz-se homem e homem servo humilde. Deus inverteu a hierarquia piramidal. Colocou-se abaixo de todos para os servir. Porquê?! Ora, porque Deus é amor e amor é altruísmo, é saber-se e conhecer-se como individuo, reconhecendo e amando os demais como iguais.

Então Jesus libertou gente oprimida, incluiu marginalizados, restaurou destroçados sociais, amou os não amáveis e não amados, denunciou os poderes politico-religiosos opressores. Enalteceu as crianças e as mulheres, tornando-as iguais em sua dignidade.

Jesus desceu dos céus à terra, de sua posição confortável à de um homem servo, por amor.

Portanto, se há algum conforto em Cristo, se alguma consolação de amor, se alguma comunhão no Espírito, se alguns entranháveis afetos e compaixões,
Completai o meu gozo, para que sintais o mesmo, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, sentindo uma mesma coisa.
Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo.
Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros.
De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus,
Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus,
Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;
E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.
Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome;
Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra,
E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.
Filipenses 2:1-11

Havendo riscado a cédula da Lei que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz.
E na cruz, despojando as Arkês e poderes opressores, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo, na cruz.
Colossenses 2:14,15

Jesus ensinou seus discípulos a criarem uma comunidade de amor, elo que portanto ensinou-os a ser comunidade igualitária, livre, mutualista, pacifista, solidária, etc.

A comunidade que criou era pacifista, não necessitou de violência de seus elementos para ser criada. Era uma comunidade em que seus elementos se viam iguais e todos livres, onde os mais necessitados eram cuidados. Os ricos que ingressavam nessa comunidade vendiam suas propriedades, e com o respectivo dinheiro supriam as necessidades dos pobres. Era o cumprimento das profecias dos profetas do Velho Testamento que viram que o Messias implantaria o Reino dos céus como uma comunidade nivelada socialmente, igualitária, onde os montes eram abaixados e os vales elevados; ou seja, os ricos despojavam-se de suas riquezas, desciam de sua posição, tornavam-se gente humilde e pobre, repartindo suas posses com os que nada tinham, sendo os que nada tinham os vales, os rebaixados da sociedade. Era uma comunidade libertária, onde os oprimidos afectiva, social e financeiramente eram libertados

E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum.
E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo a necessidade de cada um.
Atos 2:44,45

E era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns.
E os apóstolos davam, com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça.
Não havia, pois, entre eles necessitado algum; porque todos os que possuíam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido, e o depositavam aos pés dos apóstolos.
E repartia-se a cada um, segundo a necessidade que cada um tinha.
Actos 4:32-35

Esta comunidade nasce em Jerusalém, mas este Reino não estatal espalha-se sobre o território do império romano, formando-se inumeras comunidades anarko-cristãs. Estas comunidades apesar da distância geográfica, eram próximas afectivamente umas das outras, socorrendo-se umas ás outras em suas necessidades. Era uma mega-comunidade solidária, mutualista, libertária, multi-cultural, igualitária e sobretudo amorosa.

Isto foi possível porque o Senhor desta comunidade era Jesus, o Deus-Homem que se humilhara, que descera de sua condição para ser igual aos mais vulneráveis e pobres, levantando os mais vulneráveis, pobres e desprotegidos. O Senhor desta comunidade era o ideal, a Lei-Amor escrita nos corações deles que os unia em liberdade-igualdade, era o exemplo do Homem Jesus. Não era um senhorio imposto. Era um senhorio aceite, não era uma hierarquia, porque o que era mesmo era a essência do poder que serve e liberta o próximo em vez de o oprimir.

Mais tarde, cerca de 300anos, tudo isto é pervertido quando a igreja se deixa seduzir pelo império romano, cheio de poder opressor e respectivas hierarquias. A partir daí é mais e mais de historia de opressão politico-religiosa denominada cristianismo, sem o ser, pois era o contrario do Evangelho.

Mais tarde, no século XIX surgem anarquistas como Proudhon ( que reverenciava e se inspirava em Jesus), Bakunine, Kropotkine, entre outros, que tentam recriar semelhante sociedade. Estes nobres anarquistas almejam algo de muito bom, mas este sonho já se realizou no século I e é possível apenas se a comunidade tiver como ideal e consciência o Amor.

Jesus fundou esta comunidade dentro de um dos mais opressores impérios que já existiram na história, o império romano, e fê-lo sem violência, apesar da perseguição politico-religiosa.

Deus é amor, Cristo Jesus é Deus Amor revelado.

Portanto, anarquia cristã não é desordem, é Evangelho puro, ordem perfeita sem hierarquias, com ordem através da consciência comum de um ideal senhorio colectivo: o Amor. O Senhor das consciências é o Amor, pois só o amor nos centra no próximo e não em nós e nossa fome de poder. Sim o Amor-Divino é o Senhor dos verdadeiros discípulos de jesus e perfeitos anarkas.

Jesus é Senhor sem se impor, foi aceite voluntariamente por eles em suas consciências. Jesus o Amor-Divino-Homem é aceite por eles como Senhor, no sentido de ser voluntariamente aceite por todos como ideal comum. Jesus é Senhor sem imposição e apenas o aceitaram como ideal porque Ele na cruz derrotou todas as Arkês-hierarquias, tendo invertido os poderes opressores hierárquicos, pois Ele deu o exemplo, sendo Deus fez-se homem, sendo homem fez-se Servo de todos, sendo Servo deu a vida, dando a vida deu-a vivendo para os outros e morrendo de forma atroz para eles, ressuscitando para lhes mostrar que o Amor é Senhor e triunfa sobre todo o poder maligno opressor hierárquico...

domingo, 11 de janeiro de 2015

As bem aventuranças - o Decálogo do Messias (Parte III - As beatitudes exteriores)



 Vejamos as 6 felicidades exteriores, a manifestação visível da Aliança escrita no coração:


  Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia; - Mateus 5:7

  Esta é a primeira felicidade manifesta ao exterior do homem feliz: a misericórdia.
 O individuo tendo passado pelo processo de reconhecer sua falência espiritual, tendo sido consolado, tendo sido motivado pela Esperança, tendo sido transformado pelo poder de Deus em alguém manso e humilde, reconhecendo sua justificação gratuita em Cristo, não tem outra alternativa coerente que não seja a de ser misericordioso.
 Ora se ele é perdoado, se tudo lhe é dado gratuitamente, como não perdoar também os outros.
 Por isso, ele agora tem boas obras, as quais começam por partilhar o que recebeu: a misericórdia de Deus. O reconhecimento da universal falência da humanidade, assim como o juízo da Humanidade em Cristo, e a oferta universal do Espírito.
 Quando Jesus aparece em Israel e começa a perdoar pecados, exercendo misericórdia, os religiosos escandalizam-se porque só Deus é juiz e logo só Deus pode perdoar. Mas também apenas o juiz pode condenar, sendo que se só Deus é juiz, só Deus pode condenar, no entanto eles tinham ministério de condenação.
 Foi radical a inserção do perdão por parte de Jesus. O karma foi quebrado. Foi uma revolução cósmica, verdadeiramente.
 Ainda hoje a psicologia vai descobrindo as consequências psíquicas e sociais da culpa. São devastadoras, tornando a vida dos homens miserável, criando divisões, opressões, suicídios, homicídios, infelicidade, neuroses, etc...
 A solução para a culpa, não é o que os gurus desta nova de retorno ao metafisico preconizam, de se deixar de falar de culpa, deixar de falar de falhas, deixar de falar da queda Humana, deixar de falar da maldade humana, etc...
 Não é solução a dos gurus e life-coachers, porque não falar da culpa, não resolve o problema, antes desumaniza o homem, tornando-o alienado da ética e da realidade.
 A solução é a misericórdia do amor de Deus!
 Jesus foi revolucionário, pois nenhum dos éticos da espiritualidade que o precederam tiveram tamanha ousadia e sobretudo revelação.
 Buda, assim como o hinduísmo, afirmavam que teríamos de reencarnar e sofrer para expiar nossas culpas. Que devaneio e falta de graça. Mas compreende-se, pois Sidarta foi chamado de Iluminado, mas não era a luz do mundo. A luz do mundo foi profetizada por Isaías na pessoas do Messias, 200 anos antes de Sidarta.
  Não é uma condenação ao budismo e nem a nenhuma religião. Compreendo e valorizo a defesa ética destas religiões, assim como compreendo que seus fundadores não são Deus, sendo que por isso jamais poderiam resolver este problema. Este problema só Deus o poderia resolver, encarnando e morrendo por nós, a fim de queimar o Karma, para nos dar o Espírito, o qual nos transforma à imagem de Cristo.
 Então a misericórdia é o enorme privilégio que temos de exercer o chamado divino do Reino, embaixadores da reconciliação com Deus, dizendo que em Cristo, Deus não imputa aos homens os seus pecados.
 A misericórdia é uma enorme bem-aventurança. A misericórdia é o perdão divino manifesto aos homens, por intermédio de homens, a fim de os libertar da culpa e de suas nefastas consequências já referidas acima.
 A misericórdia é manifesta por quem reconhece que precisa dela todos dias, não podendo por isso condenar os outros. Ora propor ás pessoas um melhor caminho, é profecia, mas condenar as pessoas sem espaço para o perdão e mudança, é diabólico.
 Ao pecador mais hediondo deve ser pregado que Deus o perdoa em Cristo.
 Comunidades de pessoas em nome de Cristo, que não exercem assídua e universalmente a misericórdia, são comunidades do anti-cristo.
 O cidadão do Reino reconhece que seu crescimento e transformação devem-se aos recursos do Espírito que lhe foram concedidos gratuitamente. O cidadão reconhece nesse processo, a sua ainda constante imperfeição, pelo que por isso tem fome e sede de ser justificado gratuitamente, e ao sê-lo, nessa felicidade, parte para a maior felicidade de comunicar tal misericórdia ao próximo.
 A comunidade da misericórdia é a comunidade que é a sociedade toda feliz.



  Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus; - Mateus 5:8

  Por tudo o que foi dito antes, o cidadão em tal processo de transformação, vê seu coração ser limpo. Ora sabemos que é do coração que procedem as saídas da vida. O limpo de coração é verdadeiramente feliz, bem-aventurado, pois pode agora contemplar a Deus.
 Sabemos que da pureza de coração procedem os bons actos humanos. A partir de agora o cidadão actua como quem vê a Deus, actua como Estêvão, como Paulo e os demais.
 Não é dissociado disto o facto de Jesus ser Deus e de se identificar com os pobres, vulneráveis, quebrados e marginalizados da sociedade. Deus só pode ser visto no próximo.
  O cidadão reconhece o que Deus fez nele que era e é mendigo de Espírito e esfomeado-sedento de justificação gratuita em Cristo. Por isto dito, o cidadão reconhece Deus em si, vê a imagem do divino começar a ser restaurada em si, seu coração é limpo por Deus e começa assim proféticamente a olhar o próximo, enxergando o que Deus já é no próximo, ainda que de forma caída, mas vê sobretudo o que o próximo poderá ser se conhecer o Amor divino que tem para lhe revelar, começando por seu olhar.
 O cidadão começa a ver o valor a vida humana, crendo que esta pode ser restaurada, pois experimentou-o ele mesmo, de forma que contempla proféticamente o divino na vida do próximo.
 Como poderia ele amar a Deus a quem vê se não amasse o próximo a quem vê e com os quais Jesus Deus Filho se identifica?
 O cidadão que passa pelo processo de constantemente se sentir dependente e necessitado de Deus, vê seu valor restaurado e passa a ver o valor do próximo, pelo que olha e vê primeiro o bem no próximo. O cidadão olha com Esperança, vendo no próximo o bem de Deus que já lá existia, vendo apenas depois o mal, sendo que ainda assim, o olha com misericórdia e sempre com Esperança.
 O olhar do cidadão do Reino é limpo e puro, não vê apenas o mal e nem tem prazer no mal no próximo.
 Da limpeza de coração procedem as dinâmicas da vida e a contemplação do divino no próximo.



  Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus; - Mateus 5:9-10

  Outra grande felicidade, que Francisco de Assis, Tolstoi, Gandhi, Martin Luther King Jr e outros experimentaram.
 O pacificador é aquele que traz paz. A paz é comunicação da paz interior, mas tem de se manifestar exteriormente.
 A shalom hebraica, que traduzimos por paz, era dependente da paz social, pois a paz social era a justiça individual e comunitária de todo Israel. Quando o povo obedecia ás ordenanças de amor da Lei, havia equidade e justiça social, todo o individuo era dignificado e cuidado, tendo o que era essencial à vida. Era uma comunidade que vivia em paz, sem assimetrias económicas, sem miseráveis e sem pobres, sem elites opressoras, com todos a ter o mesmo acesso a a educação, trabalho, terra, etc...
 Todos tinham os mesmos direitos e deveres. Todos eram cuidados, especialmente os vulneráveis como viúvas e órfãos. Os estrangeiros deveriam ser tratados como eles israelitas gostariam de ter sido tratados no Egipto, de acordo com a ordenança em Levítico.
 A paz depende do equilíbrio psíquico de todos indivíduos consigo mesmos, com Deus e com o próximo, criando assim uma sociedade justa e em paz.
 Ora quando Jesus veio, não havia paz social, pois os romanos oprimiam económica, cultural, política e etnicamente os judeus. O que Jesus fez foi dar-lhes do Espírito que traz a paz de Deus, intima, não dependente de condições exteriores, mas que os conduziria a promover a paz social. Foi isso que a Igreja fez e vemos em Actos dos apóstolos, pois tinha tudo em comum, cuidavam de todos sem excepção e sem acepção de pessoas, criando assim uma comunidade justa e de paz social de equidade, no meio de uma sociedade injusta.
 Ora foi isto mesmo que Gandhi e Martin Luther King Jr fizeram, entre outros, pois não se conformaram com as desigualdades sociais, que oprimiam e tornavam infelizes muitas centenas de milhares de indivíduos.
 Falo deles porque eles são bom exemplo de pacificadores, pois foram pessoas pacificas, que não respondendo ao mal com mal, nem à violência com violência, ainda assim pacificamente denunciaram as injustiças sociais, que roubavam a paz à sociedade.
 Eles conseguiram-no, com coragem e sem medo da morte.
 Foi também isso que Jesus fez por excelência.
 Foi isso que a Igreja primitiva também fez, criando uma comunidade fraternal e igualitária, dentro de uma sociedade injusta, a qual denunciavam com seu puro estilo de vida, assim como com denuncia verbal, nunca destituída de amor e misericórdia no tom.
 Uma comunidade de indivíduos em nome de Cristo, que apenas se juntam e manifestam socialmente contra o aborto e homossexualidade, mas que não se juntam para marchar nas ruas e denunciar o capitalismo, a corrupção, a má educação, o mau serviço publico de saúde, o desprezo pelos estrangeiros, assim como todas as injustiças e assimetrias sociais, tal comunidade não é de Cristo; mas antes é do anti-cristo, pois a comunidade do anti-cristo é apoiada por seus discípulos e é comunidade que monta um estado que faz guerras e explora países e seus próprios cidadãos em assimetrias nacionais e globais.
 O verdadeiro cidadão do Reino chega aqui ao ponto de lutar pacificamente contra as injustiças sociais que roubam a paz dos indivíduos e consequentemente a paz social.



  Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus;
Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa.
Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós. - Mateus 5:10-12

  Estas 3 ultimas bem-aventuranças, são o culminar cristico da plenitude da felicidade. É até loucura falar disto, sem o ter vivido em sua mais radical forma, a qual é o martírio, mas o Espírito nos leva a entender. Percebe-se que quando Estêvão está a ser julgado e prestes a ser martirizado, que ele já está mais com os pés noutra dimensão do que aqui. Percebe-se que ele está já possuído de uma alegria e êxtase, assim como ausência total de medo, que são inexplicáveis à mera racionalidade e psicologia. Estêvão estava completamente em sintonia com o Espírito, contempla já o Messias, sabe que vai partir, e na morte perdoa seus inimigos.
 Isto é incompreensível para nós, mas na fé se percebe.
 Os cidadãos que chegam a este estágio de transformação espiritual, estão já em tremenda comunhão com o Espírito. Veja-se Paulo e outros, como Pedro, que quando perseguidos e espancados, regozijavam-se por sofrer em nome de Cristo, ou seja, no propor do Reino.
 Intui-se pela fé que tal gozo advém precis
 O ego com suas dinâmicas de auto-preservação e auto-promoção, leva-nos paradoxalmente a ser infelizes, quando o que mais deseja é ser feliz, mas seus instintos são contrários à Verdade. Só a Verdade faz feliz e a Verdade é o altruísmo do Amor do Reino. Nós queremos desesperadamente ser felizes, mas paradoxalmente boicotamos nos, deixando-nos levar pelos instintos do ego.
 Por isso quando chegamos ao ponto de crucificar o egoísmo radicalmente, com consciência pacificada, sem vaidade, aí acontece inexplicável Felicidade e Bem-aventurança.

  Por isso resta-nos exultar e alegrarmos nos pelo Reino que está proposto, mas para tal temos de pegar nossa cruz e segui-Lo no Caminho da crucificação do ego.
 Não tenhamos medo, o ego só boicota nossa felicidade.
 Tenhamos coragem, não depende de nós e nem de nossos recursos, mas sim do Espírito e da obra do Cristo, nosso Senhor Jesus.
amente pelo crucificar intenso e tremendo do próprio ego, que é instintivo, auto-promotor e completamente auto-preservador. Quando o individuo já não teme a morte, quando imita Cristo de forma genuína na proposição do Reino, então é verdadeira e totalmente feliz.



Conclusão:

Assim sendo resta-nos exultar e alegrarmos nos pelo Reino que está proposto, mas para tal temos de pegar nossa cruz e segui-Lo no Caminho da crucificação do ego.
 Não tenhamos medo, o ego só boicota nossa felicidade.
 Tenhamos coragem, não depende de nós e nem de nossos recursos, mas sim do Espírito e da obra do Cristo, nosso Senhor Jesus.

  No demais, Jesus continuou sua explanação do sermão do Monte, relembrando a Lei e seus mandamentos de amor, mas frisando que têm de ser verdade interiorizadas. 
 Moisés teve sua síntese da Lei da Velha Aliança no Decálogo e também depois a Lei aplicada ás mais variadas circunstâncias da vida quotidiana do povo.
 Da mesma forma Jesus, o Messias Profeta, o Filho de Deus, o mediador de uma Nova, Melhor e Eterna Aliança, dá-nos a Lei desta mesma Aliança, não abolindo a Antiga; mas antes cumprindo-a, sublimando-a, iluminando-a, escrevendo-a em nossos corações pelo seu Espírito, no qual falou seu Decálogo de 10 bem-aventuranças, assim como também depois fez exposição ao quotidiano da vida do povo dos mesmos princípios das ordenanças da Lei do Amor.
 Jesus traça aqui o seu próprio retrato, o do Homem plenamente feliz e alcança tal felicidade começando por a falar no monte da Galileia e encarnando tal felicidade e Verdade no monte do Golgota.

  J.P. Maia, a viajar no Espírito até ao sopé do florido e verdejante Monte da Galileia, longe do inóspito Monte Sinai, ouvindo o seu Messias, que está sentado, tranquilamente falando a Palavra da Lei do Amor, hoje compiladas nas Escrituras Inspiradas, em fins de Maio de 2014.

As bem aventuranças - o Decálogo do Messias (Parte II - As beatitudes interiores)


Vejamos então as 4 primeiras bem-aventuranças, que são como dizia intrínsecas, que são de inicio e entrada no Reino do Messias:
 

E Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos;
E, abrindo a sua boca, os ensinava, dizendo:
Bem-aventurados os mendigos de espírito, porque deles é o reino dos céus; - Mateus 5:1-3.

  Sim, a palavra no original é mais forte que pobres, é mendigos mesmo, gente completamente falida, gente em bancarrota, gente paupérrima, gente sem recursos alguns.
 Começamos nossa caminhada consciente no Reino apenas se reconhecermos que somos caídos, que não temos dentro de nós recursos espirituais para ser felizes e nem temos recursos em nós para o Reino da Plenitude da Felicidade exclusiva do Amor.
 Por mais que gurus e novas religiões o desejem, por mais que queiram glorificar o Homem, apenas em Jesus o Homem é dignificado e sublimado. Apenas em Jesus. E Jesus veio porque nós não damos conta do recado sozinhos. A história de Israel mostra que o povo não consegue viver a Verdade. A Verdade da Palavra é de natureza e essência contrárias à nossa natureza de essência egoísta, e isto porque estamos caídos. 
 Nós sozinhos, dentro de nós, por mais que desejemos, não temos recursos psíquico-espirituais para chegar a Deus e à felicidade verdadeira.
 Glória ao Cordeiro!
 Nós entramos no Reino dos céus não porque somos bons, mas porque Deus é bom e supre nossas necessidades. O Homem é contrário à ética do divino que é Amor e altruísmo.
 Felizes os mendigos de espírito, pois o mendigo reconhece que nada tem e que necessita,  pelo que por isso pede, por isso implora com desejo intenso, que lhe seja dado o que lhe faz falta e é imprescindível. O Reino dos céus é dos que reconhecem que em si não há recursos espirituais nem psíquicos, que estão falidos, mas que desejam e pedem com intensidade que de graça lhes sejam dados os recursos espirituais do Reino dos céus. 
 Ora sabemos da mensagem do Messias Jesus que tais recursos são seu próprio Espírito Santo.
 Nem mais, sem o Espírito Santo o homem não é templo do Altíssimo, nada pode. Deus é que vem ao nosso encontro, morre e ressuscita pelo juízo que nos dizia respeito, de graça, sendo que na mesma graça nos dá de seu Espírito para que sejamos transformados à sua imagem. Isto é dignificar o Homem e é glorificar a Deus.
 Começamos reconhecendo nossa extrema necessidade de recursos espirituais, que Jesus supre, pois dá-nos o Espírito de Deus e nEste oferta-nos o Reino dos céus.


  Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados; - Mateus 5:4.

 E quando recebemos de seu Espírito, tornamos nos ainda mais despertos e sensíveis à nossa bancarrota espiritual e à nossa falência psíquica e existencial. Mas essa tristeza é consolada pelo Consolador que nos foi dado por sermos mendigos do espiritual. Sim, o Espírito faz-nos ver nossas misérias e bancarrota, supre nossas necessidades e não nos deixa em condenação, pois Ele consola-nos. Ora a consolação depende da Esperança e a Esperança sabemos que é confiar e esperar o melhor de Deus por vir, ao nosso interior e ao universo.
 E é isso mesmo que o Espírito de Deus faz, Ele consola-nos, perdoando-nos, motivando-nos a melhorar, transformando-nos, fazendo de nós pessoas melhores e à imagem do Filho, algo que nós por nós mesmos jamais seriamos capazes. O Espírito consola-nos, mostrando o que seremos, o que poderemos fazer de bom nEle e o que o mundo será no futuro.


  Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra; - Mateus 5:5.

 Agora suprida nossa necessidade espiritual pelo Espírito de Deus, consolados por Ele pelo perdão, motivados por um nosso ser melhor e pela expectativa de  uma  sociedade melhor, tornamos nos mansos e humildes. Fomos mendigos e consolados, entendemos que o salmo que fala de herdar a Terra mansamente, é um salmo messiânico que ensina que na Lei do amor está o dar e ofertar, em vez de negociar, vender, possuir, comprar, consumir, acumular.
  É num ser livre de consumismo e de ser possessivo, é num ser que não pretende conquistar coisas para si, é num ser que não vê as coisas como minhas, mas antes como nossas; é neste ser que está a felicidade e é a este ser que Deus dará a Nova Terra. Como dizia Paulo, tudo o que é de Deus é de Cristo e tudo o que é de Cristo é nosso. 
 Já não há elites, todos somos seus cooperadores e sacerdotes. Todos somos reis da Terra com Ele, sentados com Ele nos lugares altos, seus co-herdeiros. Tudo é nosso porque a nada nos apegámos e tudo pretendemos ofertar, logo as coisas são nossas em vez de as coisas nos possuírem, pois quando as coisas nos possuem, não as conseguimos dar.
  A condição mansa e humilde erradica do ser o desejo de competição, de ser predador, de ser o maior, de possuir, de conquistar, de violência, de opressão. Por isso já na própria Antiga Aliança, a Lei mandava cuidar do estrangeiro, partilhando com ele a terra, assim como a terra era distribuída por todos equitativamente; sendo redistribuída novamente sempre que necessário, pois quando alguns acumulavam e ficavam com terras de outros, nos anos de jubileu e de 7 em 7 anos, dividas eram perdoadas e equidade era implementada para que todos tivessem o mesmo e a mesma dignidade.
 Não seria diferente com o Messias, pois ele não vinha abolir a Lei, mas antes vinha sublima-la, ilumina-la e implementa-la nos corações dos homens.
 Todas as nações que se dizem cristãs e fazem guerras de conquista de terras em egocentrismo e etnocentrismo, são na verdade discípulas de um anti-cristo. Todas as comunidades sem igualdade e equidade são comunidade de um falso cristo.



  Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos; - Mateus 5:6

  Esta é a ultima bem-aventurança intrínseca, que abre porta para as exterioridades do homem que é justo e espiritual e o manifesta no exterior sem hipocrisia.
 A palavra no original é Dikaiosunê - que significa uma justiça de equidade, de imparcialidade.
 Ora o homem que era mendigo do Espírito, que foi Consolado chorando suas misérias e iniciou processo de transformação sendo manso e humilde, é ainda esfomeado e sedento de justiça. Porquê? Ora muita gente tem confundido este fome e sede de justiça, como o desejo de alguém, que sendo um discípulo de Cristo que sofre perseguição e injustiças, clama a Deus para que se lhe faça justiça. Mas não é isto que Jesus aqui afirma. O que Jesus aqui afirma é precisamente o contrário. A questão do individuo que sofre injustiças e pede justiça a Deus é mencionada por Cristo, mas apenas na bem-aventurança numero 8, a que é a 4ª bem-aventurança exterior, de obras exteriores.
 Então do que trata esta fome e sede de justiça?
 Ora esta fome e sede de justiça trata da verdade de que em nós não há recursos e é recorrente este sentimento nos santos, assim como é bom que se o tenha sempre antes de começarmos nossas boas obras. 
 Jesus fala da justificação pela graça, ou seja, da justificação que há em Cristo, nos seus méritos e perfeição e que nos são imputados a nós injustos e imperfeitos. Não esqueçamos que para ser injusto basta cometer uma injustiça e que para ser justo é necessário não cometer nenhuma injustiça nunca e portanto ser perfeito e infalível.
 Antes de começar a falar das bem-aventuranças, ou seja, da felicidade daquele que faz boas obras no Reino, antes disso, Jesus lembra que o individuo feliz do Reino, é o que antes de fazer boas-obras tem sempre consciência de que é imperfeito e que necessita sempre de ser justificado pela graça. O individuo novamente reconhece suas limitações, sua imperfeição, suas lacunas, suas vulnerabilidades, sua necessidade do auxilio divino. 
 Esta felicidade não é a de um individuo que vive em condenação, mas a de alguém que em alegria e felicidade reconhece sua fome e sede de ser justificado pela graça, pois reconhece que em si não há justiça, porque a justiça divina é perfeita.
 Antes de fazer boas obras justas, o justo lembra que foi mendigo do Espírito, que foi Consolado, transformado em alguém humilde, mas que ainda assim não conseguiu ser perfeito e que o bem da justiça tem de lhe ser imputado gratuitamente por Deus.
 O individuo reconhece sua fome e sede de justiça, que no original tem a ver com justiça de equidade, sabendo nós que por melhores que sejamos, por mais que tenhamos sido transformados, continuamos ainda a ser pessoas com egoísmo. É verdade que estamos a ser transformados. É verdade que melhoramos, é verdade que nossa consciência mudou, mas também é verdade que ainda não somos Cristo, ainda temos o ego a ter de ser constantemente crucificado e ainda falhamos. Sim, ainda falhamos, pelo que precisamos de como Paulo viver de fé em fé no Evangelho que nos justifica gratuitamente em Cristo, no poder do Evangelho.
 Sim, temos já consciência do Reino, temos já o Espírito e somos consolados, por isso somos humildes e mansos, reconhecendo que ainda há injustiça em nós e por isso não somos ainda como Cristo, pelo que estamos esfomeados e sedentos de justiça de equidade em nós.
 O ser egoísta não é de justiça e equidade, pois é parcial e está mais centrado em si que no próximo, ainda que seja já do Reino.
 Paulo dizia aos filipenses: quanto a mim não julgo que o haja alcançado, mas uma coisa faço, a qual é, esquecendo-me das coisas que para trás ficam, prossigo para o alvo, que é a soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.
 O cidadão do Reino, mendigou o Espírito e o recebeu, chorou suas misérias e foi Consolado, por isso se tornou manso e humilde, sendo que nesta humildade, reconhece diariamente, constantemente, que está num processo, que é ainda alguém imperfeito, pelo que está esfomeado e sedento por ser justificado. Ora só pode ser justificado no Messias Cordeiro. A nenhum homem é comunicada justiça e equidade sem ser gratuitamente pelo Cordeiro.
 Então, pela graça, o sedento e esfomeado de justificação de equidade, é fartamente alimentado por Deus. Fica de barriguinha cheia, pois em Cristo está toda a justiça justificadora. gratuitamente.
 Então nesta condição de consciência de necessidade do Espírito, no Consolo das misérias perdoadas e da humildade adquirida, o cidadão do Reino com a Esperança do Consolo, prepara-se para manifestar sua condição feliz e do reino ao exterior, pelas suas boas obras, não sem antes se lembrar sempre de que também ele necessita de gratuitamente ser justificado.
 Nesta altura do processo, já o cidadão do Reino tem a Lei do Amor da Nova Aliança do Messias escrita em seu coração.

As bem aventuranças - o Decálogo do Messias (Parte I)

Introdução




 Em Mateus 5, vemos Jesus num monte da Galileia, a proferir sua síntese do Reino dos Céus, que é o Reino de Deus, começando com seu Decálogo de 10 bem-aventuranças, as quais se explicarão, mas antes vejamos como Jesus chega ao Monte:

  Para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías, que diz:
A terra de Zebulom, e a terra de Naftali, Junto ao caminho do mar, além do Jordão, A Galileia dos gentios;
O povo, que estava assentado em trevas, viu uma grande luz; aos que estavam assentados na região e sombra da morte, a luz raiou.
Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus. - Mateus 4-14-17

  Ora na Galileia começara o juízo de Deus sobre seu povo, pois quando Israel se desvia em suas idolatrias, Deus através de seus profetas pede arrependimento e avisa que virá juízo sobre o não arrependimento das muitas mazelas psíquico-sociais, que Israel trazia à sua própria sociedade, que deveria ser a comunidade do amor da Lei de Deus.
 Como sabemos, o reino de Israel dividiu-se após a morte de Salomão, em reino de Israel ao norte e reino de Judá ao sul.
Israel, o reino do norte, perverteu-se mais rapidamente que Judá.  Deus enviou seus profetas a ambos estados e sociedades.
 Mas Deus começou por exortar Israel, pois este se perverteu mais rapidamente. Depois Deus também exortou a Judá. Nenhum dos reinos se arrependeu, pelo que Deus teve de os julgar e corrigir. Israel foi o primeiro a ser corrigido, sendo levado para o cativeiro atroz da Assíria.
 Mais tarde é também Judá que vai para o cativeiro, pelas mãos dos babilónios.

  No Reino de Deus há juízo, ainda que muitos líderes e referências espirituais falem do contrário. Por causa do legalismo, fanatismo e outros paradigmas farisaicos de acusação sem graça e perdão do amor, alguns indivíduos que amam a metafisica e as coisas espirituais, caíram no outro oposto de dizer que Deus não exerce juízo, o que é falso, perigoso e sobretudo anti-Evangelho, ou seja, anti-Cristo.
 Deus é juiz, pois Deus é justiça, sendo que sua justiça flui precisamente de seu amor. Por ser Amor, Deus é um juiz amoroso! Deus exerceu seu juízo na cruz, em Cristo, pelo que negar o juízo de Deus significa negar o Cristo verdadeiro, o Cristo crucificado-ressurrecto.
 Também no ultimo dia da história, Cristo virá em juízo sobre os que não amam, a fim de inaugurar a plenitude do Reino do Amor, pelo aperfeiçoamento escatológico de todos e de todo o universo, que foi criado para o amor e não para a perversão. Deus tem de exercer juízo.
 Ainda bem que Deus exerce juízo e que o exerce como exerce, pois exercendo-o expurga o mal do universo; sendo ainda que o faz com muita paciência e mansidão, dando a todos sem excepção, através de sua graça, o privilégio de se entregar a Ele para viver num universo redimido de todo mal.
 Por mais que life-coachers, gurus e pessoas que vendem auto-ajuda, pretendam enaltecer e glorificar o homem subtilmente, a verdade é que Deus exerce juízo e nós precisamos de arrependimento. Mas devemos também entender que o Deus-Amor é muito paciente e sobretudo eficiente e efectivo em nos transformar processualmente na graça de seu amor. Por isso Paulo fala de caminharmos de glória em glória e de fé em fé, em Cristo e no seu Evangelho.
 Falar do Pai e de Cristo como ambos sendo Deus-Amor, sem no entanto falar de Cristo ofertado em juízo de amor pelo Pai na cruz, para nos salvar e a partir daí nos dar de seu Espírito, o qual nos transforma à imagem de Cristo; é vã-glória, é vaidade, é apenas psiquismo e racionalismo humanista de pretensão espiritual, pois é apenas mais uma religião da Terra que tenta chegar a Deus pelos próprios recursos humanos.
 Não nos equivoquemos, o Homem está mesmo caído, destituído da glória de Deus e afastado de Deus. Ora tal afastamento não é feito por Deus.
 Deus não se escandaliza e nem se afasta. Deus não se escandaliza de nossa queda e de nossas falhas para com o Amor.
 A quebra do amor é o pecado, o qual não faz mal a Deus e jamais o escandaliza, pois Ele sabe bem do processo inevitável que conduz do primeiro e caído psíquico Adão, até ao segundo e derradeiro Adão -  Cristo, o Homem Espiritual.
 Deus está afastado de nós não geograficamente, pois Deus é omnipresente. Deus está afastado de nós Humanidade, porque a Humanidade é que se afasta de sua natureza e essência pura de Amor. Sim, a Humanidade afasta-se e Deus a busca através do Filho.
 Portanto devemos nos regozijar porque somos queridos a Deus e Deus revela a loucura de seu amor para alem do bem e do mal, na cruz do calvário, onde histórica e tangivelmente foi encarnado tal Amor eterno por nós.  O Homem é a menina do olho de Deus, se me permitem o antropomorfismo, pois somos homens e comunicamos o inefável em linguagem de Homem.
 Deus nos ama louca e intensamente e por isso criou o universo, para que sejamos sua família.
 Um deus que exerça juízo sem prévia paciência e sobretudo sem Amor que graciosamente nos salve, não é o verdadeiro Deus-Amor.
 Um deus que pretenda ser o Deus-Amor, mas que não exerce juízo sobre o não-Amor e que sobretudo não encarna para em louco amor morrer  e ressuscitar por nós, a fim de nos salvar para o eterno universo do reino exclusivo de Amor, não é o verdadeiro Deus-Amor.
 Ora por reacção compreensível em repugnância para com o legalismo e fanatismo neo-farisaico, muitos rejeitam a verdade de que nós somos seres caídos, que precisam de se arrepender e cujos corações estão destituídos da glória de Deus. Caem no extremo do humanismo e gnosticismo que sempre afirmou a falácia de nossa bondade intrínseca e recursos interiores próprios para salvação.
 O Reino de Deus está em nós, disse Cristo, mas temos de o buscar no Espírito, pois sozinhos não chegamos lá.
 Não se pretende aqui agradar a neo-fariseus e nem a neo-gnósticos, ambos pensando que por si sós lá chegam, sendo que os primeiros crêem que podem efectuar performance de perfeição ética, e os segundos julgam ter em si a bondade, a inteireza e os recursos espirituais para acessarem o Reino do Divino, sendo que ambos não reconhecem a sua queda e necessidade de salvação.
 Ora Jesus é um médico enviado a toda a Humanidade, mas só salva os que querem consulta com ele, declarando-se doentes. Ora isto mesmo não é humilhar e aviltar a dignidade humana, é apenas realismo e verdade que permite que sejamos curados e sublimados por Cristo à condição de Humanidade perfeita.
 Por isso precisamos de nos arrepender, sabendo que arrependimento é metanoia, que significa mudança de consciência. Mas esta mudança de consciência, apesar de não ser apenas sentir-se mal pelo que se fez de mal, é também isso.
 A metanoia é uma transformação interior que é processual e envolve a totalidade do homem. Não é apenas sentimentos pelo mal do passado cometido, tipo remorso. Mas também não é apenas racionalizar destituído de emoções, que o que se fez estava errado e que agora se fará o que é certo.
 Metanoia, arrependimento, é mudar de consciência, sentindo que o que se fez foi mal, sentindo alguma tristeza para com o mal cometido, mas não tristeza de condenação. Deve-se sentir a tristeza de que Paulo falava aos corintios, o contristar operado pelo Espírito na nossa consciência que opera vida. Ficamos contristados pelo que fizemos, ganhamos consciência de como devemos ser, superamos a tristeza pelo perdão e consciência da graça e tornamos nos pessoas melhores. Mas passa por admitirmos nossas falências quer em termos de performance não ética, quer em termos de má gnose, má consciência.

  Mas voltemos a Jesus e ao sermão do monte galileu e ás 10 bem-aventuranças.

  Isaías profetizara que na Galileia, antiga terra das tribos de Neftali e de Zebulom, chegaria primeiro a luz do Messias, pois Deus em seu louco Amor julgara primeiro a Israel,  mas também salvaria primeiro a esta mesma região do norte de Israel: a Galileia.
 Onde começara em amor a exortação, começara também em amor o juízo pelo não arrependimento diante da exortação; mas também aí começaria primeiro a revelação do Messias e do Amor da luz do Divino. E Deus manifesta-se também primeiro entre a Galileia das nações, ou seja, entre gentios, deixando para depois Jerusalém, a Judeia e o Templo; uma vez que Jesus começa seu ministério em Jerusalém na Páscoa, conforme vemos no evangelho de João, mas de imediato vai para a Galileia, onde se manifesta com mais intensidade.
 Então Deus encarna em Jesus, o qual vive na Galileia, o qual é o Messias, pelo que na Galileia em trevas à mais tempo, chega primeiro a luz.
 Quão loucos e lindos são os juízos de Deus!
 Deus falou do Monte Sinai, deu a Aliança, mas em terrível som, com trovões e tremor de terra, com o povo cheio de medo pela presença da pureza e majestade Santíssima do Altíssimo. Moisés foi o veículo de temporária Aliança. Moisés profetizou que viria outro profeta como ele, no sentido de ser mediador de Aliança com Deus.
 Mais tarde os profetas profetizam que o mediador da Nova Aliança será o Messias.
 Israel percebe então que o mediador da nova Aliança, que será eterna, será promulgada pelo Messias, pelo que o Messias é também o Profeta de que falou Moisés.
 Isaías vai mais longe e diz que o Servo Messias será morto, mas ressuscitará e justificará a muitos e seu nome será majestoso e altíssimo, sendo que tais títulos são prerrogativas exclusivamente divinas. Isaías profetiza que o Messias terá prerrogativas divinas - Isaías 52-53.

  Vemos então Jesus, o Cristo, o Profeta mediador de uma Nova Aliança, que como Moisés, dá a Palavra da Aliança no Monte, mas desta feita não um monte terrível do deserto, mas antes um verde, bucólico e tranquilo monte da Galileia, na Terra Prometida.
 No Sinai o povo não conseguia e não suportava ouvir a voz de Deus transmitir sua Palavra de Aliança. O ambiente era terrível, pois era tempo de primeiro o povo conhecer a Majestade, Pureza, Integridade e consequente Terribilidade da Plena Pureza Divina.
 Agora o povo podia ouvir a voz de Deus transmitir a Palavra da Nova Aliança. O mediador como Moisés era Jesus, o Profeta, mas que era também o Messias, o Rei do Reino dos Céus. Jesus era também Deus, pois Isaías previra que o Messias teria prerrogativas divinas como já mencionei, alem de que em Jesus, Deus fala directamente com o povo. Sim, Jesus é que fala a Palavra da Nova Aliança de Deus, pois Jesus é Deus e por isso a pode falar.
 É num monte na Galileia, onde houve primeiro o juízo de Deus, no meio de gentios, que Deus decide ofertar sua Nova Aliança e a Palavra de seu Reino.
 O povo escutava sereno e tranquilo. Deus Filho falava. Moisés dera 10 mandamentos, que o povo já percebera que eram Lei de mandamentos de amor para a comunidade. O povo já percebera que não os conseguira viver por si só, pois ter gnosticismo, conhecimento da Verdade, não chega para viver a Verdade.
  Então o povo sabia que as ordenanças da Lei, eram mandamentos de amor, e era isso que ensinavam as escolas rabínicas, tanto a de HIllel, quanto a de Shamai.
 O povo já entendera que não conseguia obedecer à Lei do Amor, e sabia do juízo que viera por isso mesmo. O povo esperava que o Messias viesse e que através dele Deus fizesse Nova Aliança, mas desta feita que eles a conseguissem viver.
 Eles sabiam que não conseguiam viver a Lei de amor. Alem disso eram oprimidos também por fora pelo jugo romano.
 Mas vamos então ás bem-aventuranças, de nosso Novo Moisés, do Filho de Deus, que apresenta seu Decálogo como 10 motivos de exultação, 10 motivos de felicidade, 10 razões para ser alegre e verdadeiramente humano.
 As palavra bem-aventurança é no original grego: Makarios. Esta palavra significa plenamente feliz.
 Sim, agora podiam regozijar-se, porque seria possível viver a Lei do Amor.
 Jesus propõe seu Decálogo de bem-aventuranças, como apontamento do que permite o Homem entrar no Reino de Deus, sendo que tal caminho começa no interior, é primeiramente intrínseco, depois então torna-se extrínseco, ou seja; Jesus como o Messias e Profeta, implementa a Aliança com Deus, que deve ser escrita no coração e não em tábuas de pedra, pelo que assim o povo poderá finalmente encarnar a Palavra de Deus que desce dos céus, conforme profetizou Jeremias.
 Por isso as 4 primeiras bem-aventuranças são intrínsecas, de movimentos no interior do Homem, de consciência assimilada do Reino de Deus. As restantes 6 bem-aventuranças são o resultado das 4 primeiras, são a visibilidade do que sai do coração do Homem.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Bom natal a todos e Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens do beneplácito de Deus...

“Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens do seu beneplácito” Lucas 2:14. – Esta é a tradução correta do texto e faz toda a diferença como ideia de verdade comunicada, aqui em português de hoje! Está então o texto escrito como: Glória a Deus nas alturas e sobre a terra paz e beneplácito de Deus aos homens! Mas que significa esta declaração dos anjos, da parte de Deus, para a Humanidade?



 Este texto do Evangelho Escrito é sobejamente conhecido, especialmente na altura em que se celebra o natal. Mas o que significa? Infelizmente, como com tantas porções das Escrituras, tem sido incorretamente interpretado.

 Em algumas vezes até mal traduzido. Eis uma das más traduções que mais vigoram e que fluem de incorreta interpretação espiritual e exegética das Escrituras: glória a deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens de boa vontade.

 Ora vamos ao texto; gloria a deus e paz para os homens. A glória de deus não pode ser produzida pelo homem…

 Deus é glorioso e pronto! A glória de deus é o simples facto de sua perfeita beleza, de sua natureza amor e de sua pureza e santidade.

 Por isso a glória de deus não pode ser produzida pelo homem, nem aumentada e nem diminuída. Tem a ver simplesmente com sua natureza boa-perfeita e plena!

O Homem tudo o que pode fazer é apenas reconhecer a glória de deus!

 O homem pode reconhecer a glória de deus ao divulga-la, assim como a natureza por deus criada; ou seja, o Homem e a natureza, podem ser um espelho dessa glória, pura e simplesmente porque deus graciosamente criou o Homem á sua imagem e semelhança e porque a natureza revela atributos de seu criador, assim como uma obra-prima de um pintor revela atributos artísticos e geniais de seu autor genial.

 Sabemos que infelizmente o homem criado á imagem de deus, tem esta mesma imagem ofuscada, manchada, pervertida, e tem até se tornado no oposto dessa imagem boa…

 A forma de o homem espelhar a glória de deus é encarnando seu amor, sua perfeição e a partir daí relacionar-se em comunidade com o próximo, criando uma comunidade de serviço mútuo de amor e prazer de relacionamentos altruístas, e isto numa comunidade na terra, onde esta é tratada como um jardim.

 Deus é excelso, inefável, transcendente, e ele é glorioso; e daí o texto dizer gloria a deus no excelso, ou no português comum: nos céus, nas alturas, na dimensão que transcende o universo e que religiosamente chamamos de céus.

 A gloria de deus transcendente, tornando-se visível na terra pela paz com que a comunidade humana vive, espelhando assim a gloria da imagem de deus, que é pacifica, amorosa e justamente harmoniosa.

 Esta paz é apenas possível contrariando a natureza caída do homem, a qual é egoísta e donde fluem as guerras e todos os desequilíbrios e desarmonias de todos os relacionamentos sociais.

 Desarmonias dentro do próprio individuo que não se sabe relacionar consigo mesmo e foge de introspeção, assim como desunião entre familiares, desarmonias na vizinhança, desarmonias entre diversas comunidades, entre diversas regiões, entre diversas etnias, entre diversos países, entre diversas ideologias, entre diversas religiões, entre diversos hemisférios e que se refletem na forma com que se trata e relaciona com a terra: o jardim…

 Então, a maneira da glória do deus transcendente que não vemos, ser manifesta no mundo material e tangível, concretiza-se quando a comunidade humana vive em paz, que implica não egoísmo, ou seja, implica amor verdadeiro-altruismo…

 Ora tal coisa parece utopia e o homem não pode e nem consegue produzir esta paz, ainda que o deseje ou tente. Isto porque a tendência do homem é desejar apenas seus interesses e daí as guerras, injustiças e desarmonias.

 O homem desejar a paz, reconhecer a necessidade de ética, já é bom, mas isso não chega, pois os desejos mais intrínsecos, instintivos e naturais do homem querem e trabalham em prol do egoísmo, desarmonia e guerra… No entanto alguns homens desejam e querem esta paz, mas sozinhos não a conseguem promover, pois o homem tem a natureza inversa a isso mesmo…

 É precisamente das tentativas do homem produzir paz e harmonias, que surgem as mais diversas religiões de moral e ética que se tornam códigos vigentes das comunidades, como o foi e é o judaísmo, o islamismo, a cristandade secular, etc…

 No entanto tal reconhecimento e desejo de ética e o desejo de a impor ás comunidades não produziu paz…

Veja-se a história! A ética dos judeus, islâmicos, cristãos, etc, impediu-os de fazerem guerras? Não criaram e criam enormes desarmonias? Claro que sim! É um facto histórico! A única forma da glória de deus se espelhar na terra é através do homem a viver em paz social.

 Mas o homem não consegue promover a paz de deus, que é sempre paz e harmonia social.

Então tem de ser o próprio deus a promover essa paz que por sua vez reflecte sua glória.

 A consciência ética apenas tem trazido, ou neuroses de culpa obsessiva, ou a ilusão de que se é perfeito; e daí depois o julgar-oprimir o próximo que aparentemente não se comporta da mesma forma…

Era isto que havia no tempo de Jesus. Homens crentes num deus único, monoteístas, ético-morais, mas no entanto iludidos de que eram irrepreensíveis diante de deus, julgando-se por isso no direito de serem condenadores-opressores dos menos bem comportados e não tão religiosamente maquilhados quanto eles.

O homem por si só não consegue promover a paz. Por isso deus em omnisciência totalmente sábia, havia previsto que seu filho encarnasse e se fizesse homem, para nos trazer-ensinar a paz.

 Jesus é esse homem-deus! Jesus encarnou, viveu entre nós, ensinou a verdadeira paz, cresceu em graça diante de deus e dos homens. Só Jesus como deus podia trazer e produzir a paz. Só Jesus homem podia abraçar incondicionalmente e viver plenamente a paz de deus.



Por isso: ao Cordeiro, só a ele, toda a glória.



 O Cordeiro de Deus Jesus é a paz-graça de deus, o favor imerecido de deus.



Jesus assumiu nossas culpas, para que crendo nisso, deixássemos nossas culpas e fossemos curados das neuroses obsessivas promovidas pelo sentimento dessas mesmas culpas, e nessa cura fossemos curados de toda a psico-somatologia a ela associada, assim como deixássemos de julgar-condenar-nulificar o próximo; marginalizando-o e impedindo que ele se reescreva em santidade, tantas vezes quanto necessárias for, nem que sejam 70x7, que é todo tempo da história humana revelada a Daniel.

  Para conseguir a reconciliação de cada individuo com deus, consigo próprio e com o próximo, Jesus teve de morrer e depois ressuscitar, pois o amor sempre triunfa.

 E depois de ressuscitar, Jesus foi para o Pai, mas não nos deixou órfãos, sós, novamente entregues apenas a nossos esforços vãos de tentar produzir paz.

 Jesus tornou possível que ele e o Pai nos oferecessem de seu Espirito a viver em nosso coração.

Jesus tornou possível que o homem se tornasse templo de deus, o único templo de deus e onde o deus transcendente e excelso deseja morar.

 Sim, o deus da glória nas alturas deseja morar em nossos terrenos corações e promover em nós e á nossa volta a paz. Por isso também o Espirito é Emanuel, deus connosco.

 O Espírito Santo, sobretudo Ele, é Emanuel… Ora este projecto de deus em sua omnisciência, existe desde antes da fundação do mundo! A esta boa vontade divina chama-se beneplácito de deus.

 Beneplácito é um termo jurídico dos estados monárquicos e imperiais, em que o rei que governa pode decretar boas leis e medidas, que por isso mesmo, sendo da boa vontade do rei, se denominam beneplácito.

 Ora de Deus que é o verdadeiro e eterno rei, perfeitamente bom, só poderia sair um decreto régio e divino, de uma vontade plenamente boa, a implementar entre os homens.

 A palavra que aparece neste trecho de lucas é no seu original: "eudokia", a mesma palavra que aparece usada por Paulo como beneplácito em sua epístola aos Efésios, que como foi dito, é a boa vontade de deus a ser implementada, o decreto régio-divino de deus para seu reino-universo.

 Eis a consciência de Paulo disto mesmo, não esquecendo nós que Lucas usou também esta expressão no evangelho, sendo que Lucas era discípulo de Paulo e escreveu seu evangelho com testemunhos de discípulos que andaram com Jesus, também através de testemunhos de Maria, a mãe de Jesus; assim como escreveu com o discernimento espiritual que obteve, mediante seu discipulado com Paulo, acerca do que esses factos históricos significam espiritualmente.

 Mas eis o beneplácito em Paulo aos Efésios, logo no capítulo 1:

 Bendito o deus e pai de nosso senhor jesus cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em cristo;

 Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor;

 E nos predestinou para filhos de adopção por jesus cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade,

 Para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no amado,

 Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça,

 Que ele fez abundar para connosco em toda a sabedoria e prudência;

 Descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo,

 De tornar a congregar em cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra;

 Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade;

 Com o fim de sermos para louvor da sua glória, nós os que primeiro esperamos em cristo;

 Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o espírito santo da promessa.

 O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória.



Ora então visto isto: “Gloria a deus no excelso e paz na terra entre os homens de seu beneplácito!”



Uma vez que o homem não consegue promover a paz, em geral não a deseja, quando a deseja e tenta por si só cria religiões opressoras, uma vez que assim é, o homem é impotente e ineficaz para implementar a paz de deus que se reflecte em tudo.

 Sendo assim só deus consegue implementar esta paz no nosso meio. Se só deus a consegue implementar e não a merecemos, a paz é graça de deus.

 A paz é dom imerecido de deus. Por isso o homem não deve ser vaidoso e deve reconhecer que a paz só deus a implementa, de acordo com sua vontade eterna de criar para si o homem a viver em paz e em tudo o que paz implica.

 Então o texto não é: paz aos homens de boa vontade. A boa vontade só deus a tem.

 O texto é: “…paz na terra aos homens do beneplácito de deus!” O texto significa paz aos homens que reconhecem que são imperfeitos e mesmo com deus a operar-morar em seu meio, ainda são imperfeitos, sendo que tal paz é processual e promovida pelo Espirito em nós.

 O beneplácito de deus é para todos, mas nem todos o aceitam.

 Alguns querem continuar a viver descarada e transparentemente em seus egoísmos-guerras-desequilíbrios, enquanto outros querem ter a vaidade-ilusão de que são eles que são bons e promovem a paz e tudo quanto é de deus, delirando nesta ilusão vaidosa que será a agenda do Anticristo, julgam-se superiores aos demais e julgam-oprimem-nulificam-marginalizam o próximo.



Foi isto mesmo o que fizeram os fariseus. Foi isto mesmo o que fez o cristianismo em geral, salvo excepções mártires como Martin Luther King Jr, Gandi, John Huss, entre outros poucos e outras poucas pessoas com a sorte do apóstolo João e Francisco de Assis, em apenas serem perseguidos sem serem martirizados…

 É que o beneplácito de deus é para todos, mas nem todos o aceitam.

 Os declaradamente opostos á ética não o aceitam. Os ético-religiosos também não aceitam, uma vez que fingem querer a paz e éticas divinas, mas criam apenas sistemas de auto-promoção e auto-preservação, assim como condenação do próximo.

 Este último, o cristianismo institucional, é o embrião do sistema do Anticristo, que ainda se implementará mais na Humanidade, até que o catolicismo case de novo com o ortodoxismo greco-eslavo e com o protestantismo, como já o fizeram, no século XIX, quando constituíram a Santa Aliança; a fim de destruírem a sociedade da revolução francesa, de ideais de igualdade, liberdade e democracia, tão contrária á sociedade cristã de reis, nobres e clero - opressores do povo.

 O beneplácito de deus é imerecido, é graça pura da natureza amorosa-graciosa de deus a querer trazer Paz, a Shalom de Deus

 O beneplácito de deus é para todos, mas só o usufruem os que abraçam a graça de deus e deixam o Espirito processualmente promover essa paz, ainda que sofram guerra da parte dos religiosos vaidosos que rejeitam graça, ou dos declaradamente egoístas.



Só deus tem boa vontade. Só deus decreta e faz o que dura para sempre.



O Anticristo virá e seu espirito já anda aí, com estrutura-sistema de falsa paz.

Paz superficial, efémera paz económica, efémera paz ecológica, éfemera paz político-militar, efémera paz religiosa-ecuménica, enfim: pax romana…



Ele, o Anticristo, virá, para aparentemente resolver todas as guerras e desarmonias, mas seu espirito já anda aí, no meio daqueles que dizem ter a paz e promover a paz, sem dar a vida pelo próximo, apenas com vaidades ético-comportamentais. Paz falsa de psicologia behaviourista.



Moços, isso não é beneplácito de deus…



O beneplácito de deus é graça a trabalhar em nosso coração, daí a humildade e gratidão, daí não haver vaidade, daí haver constante confissão de falhas sem obsessões neuróticas da culpa da lei…

 A graça processual traz gradualmente paz-harmonia-altruísmo ao nosso ser.

 Gradualmente porque nossa natureza se lhe opõe. É só ler romanos 7.

 Gente de Deus, então se fomos salvos pelo favor imerecido de deus, se fomos salvos pela exclusiva obra de deus, não terminemos na carne, tentando acabar a obra da santificação-aperfeiçoamento em paz, ás custas de nosso insuficiente esforço, na ilusão que ignora que só os méritos de Cristo nos valem; assim como nossas obras de aparente justiça são aos olhos divinos como trapos de imundícia.

 Abracemos o beneplácito da graça poderosa e suficiente de deus.

 Abracemos a graça e depois vamos partilha-la com todos! Gente de deus, vamos dar aos que não merecem e agradecer aos que merecem.

 Deixemos deus produzir graciosamente paz em nosso meio e deixemos deus na cruz nulificar as vaidades e culpas da lei.

 Abracemos a graça. Interpretemos com o Espirito Santo o Evangelho nas Escrituras, para que das Escrituras tiremos Palavra de verdade e não lei.

 Como se deus desse paz aos homens que a merecem! Ora se os homens a merecessem, seria porque a promoveram, sendo que assim, deus apenas cumpriria a obrigação de pagar o que devia ao homem.

 Nossa vontade jamais é boa. Por isso devemos sempre orar todos dias, toda a hora: seja feita a tua vontade, boa perfeita e agradável.

 Aceitemos seu beneplácito régio-divino, seu evangelho.



Aceitemos tão grande, escandalosa e louca graça…



J:P. Maia, novamente debaixo da sombra do beneplácito do Logos feito carne no Cordeiro Jesus, em 23-12-2014.