domingo, 11 de janeiro de 2015

As bem aventuranças - o Decálogo do Messias (Parte III - As beatitudes exteriores)



 Vejamos as 6 felicidades exteriores, a manifestação visível da Aliança escrita no coração:


  Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia; - Mateus 5:7

  Esta é a primeira felicidade manifesta ao exterior do homem feliz: a misericórdia.
 O individuo tendo passado pelo processo de reconhecer sua falência espiritual, tendo sido consolado, tendo sido motivado pela Esperança, tendo sido transformado pelo poder de Deus em alguém manso e humilde, reconhecendo sua justificação gratuita em Cristo, não tem outra alternativa coerente que não seja a de ser misericordioso.
 Ora se ele é perdoado, se tudo lhe é dado gratuitamente, como não perdoar também os outros.
 Por isso, ele agora tem boas obras, as quais começam por partilhar o que recebeu: a misericórdia de Deus. O reconhecimento da universal falência da humanidade, assim como o juízo da Humanidade em Cristo, e a oferta universal do Espírito.
 Quando Jesus aparece em Israel e começa a perdoar pecados, exercendo misericórdia, os religiosos escandalizam-se porque só Deus é juiz e logo só Deus pode perdoar. Mas também apenas o juiz pode condenar, sendo que se só Deus é juiz, só Deus pode condenar, no entanto eles tinham ministério de condenação.
 Foi radical a inserção do perdão por parte de Jesus. O karma foi quebrado. Foi uma revolução cósmica, verdadeiramente.
 Ainda hoje a psicologia vai descobrindo as consequências psíquicas e sociais da culpa. São devastadoras, tornando a vida dos homens miserável, criando divisões, opressões, suicídios, homicídios, infelicidade, neuroses, etc...
 A solução para a culpa, não é o que os gurus desta nova de retorno ao metafisico preconizam, de se deixar de falar de culpa, deixar de falar de falhas, deixar de falar da queda Humana, deixar de falar da maldade humana, etc...
 Não é solução a dos gurus e life-coachers, porque não falar da culpa, não resolve o problema, antes desumaniza o homem, tornando-o alienado da ética e da realidade.
 A solução é a misericórdia do amor de Deus!
 Jesus foi revolucionário, pois nenhum dos éticos da espiritualidade que o precederam tiveram tamanha ousadia e sobretudo revelação.
 Buda, assim como o hinduísmo, afirmavam que teríamos de reencarnar e sofrer para expiar nossas culpas. Que devaneio e falta de graça. Mas compreende-se, pois Sidarta foi chamado de Iluminado, mas não era a luz do mundo. A luz do mundo foi profetizada por Isaías na pessoas do Messias, 200 anos antes de Sidarta.
  Não é uma condenação ao budismo e nem a nenhuma religião. Compreendo e valorizo a defesa ética destas religiões, assim como compreendo que seus fundadores não são Deus, sendo que por isso jamais poderiam resolver este problema. Este problema só Deus o poderia resolver, encarnando e morrendo por nós, a fim de queimar o Karma, para nos dar o Espírito, o qual nos transforma à imagem de Cristo.
 Então a misericórdia é o enorme privilégio que temos de exercer o chamado divino do Reino, embaixadores da reconciliação com Deus, dizendo que em Cristo, Deus não imputa aos homens os seus pecados.
 A misericórdia é uma enorme bem-aventurança. A misericórdia é o perdão divino manifesto aos homens, por intermédio de homens, a fim de os libertar da culpa e de suas nefastas consequências já referidas acima.
 A misericórdia é manifesta por quem reconhece que precisa dela todos dias, não podendo por isso condenar os outros. Ora propor ás pessoas um melhor caminho, é profecia, mas condenar as pessoas sem espaço para o perdão e mudança, é diabólico.
 Ao pecador mais hediondo deve ser pregado que Deus o perdoa em Cristo.
 Comunidades de pessoas em nome de Cristo, que não exercem assídua e universalmente a misericórdia, são comunidades do anti-cristo.
 O cidadão do Reino reconhece que seu crescimento e transformação devem-se aos recursos do Espírito que lhe foram concedidos gratuitamente. O cidadão reconhece nesse processo, a sua ainda constante imperfeição, pelo que por isso tem fome e sede de ser justificado gratuitamente, e ao sê-lo, nessa felicidade, parte para a maior felicidade de comunicar tal misericórdia ao próximo.
 A comunidade da misericórdia é a comunidade que é a sociedade toda feliz.



  Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus; - Mateus 5:8

  Por tudo o que foi dito antes, o cidadão em tal processo de transformação, vê seu coração ser limpo. Ora sabemos que é do coração que procedem as saídas da vida. O limpo de coração é verdadeiramente feliz, bem-aventurado, pois pode agora contemplar a Deus.
 Sabemos que da pureza de coração procedem os bons actos humanos. A partir de agora o cidadão actua como quem vê a Deus, actua como Estêvão, como Paulo e os demais.
 Não é dissociado disto o facto de Jesus ser Deus e de se identificar com os pobres, vulneráveis, quebrados e marginalizados da sociedade. Deus só pode ser visto no próximo.
  O cidadão reconhece o que Deus fez nele que era e é mendigo de Espírito e esfomeado-sedento de justificação gratuita em Cristo. Por isto dito, o cidadão reconhece Deus em si, vê a imagem do divino começar a ser restaurada em si, seu coração é limpo por Deus e começa assim proféticamente a olhar o próximo, enxergando o que Deus já é no próximo, ainda que de forma caída, mas vê sobretudo o que o próximo poderá ser se conhecer o Amor divino que tem para lhe revelar, começando por seu olhar.
 O cidadão começa a ver o valor a vida humana, crendo que esta pode ser restaurada, pois experimentou-o ele mesmo, de forma que contempla proféticamente o divino na vida do próximo.
 Como poderia ele amar a Deus a quem vê se não amasse o próximo a quem vê e com os quais Jesus Deus Filho se identifica?
 O cidadão que passa pelo processo de constantemente se sentir dependente e necessitado de Deus, vê seu valor restaurado e passa a ver o valor do próximo, pelo que olha e vê primeiro o bem no próximo. O cidadão olha com Esperança, vendo no próximo o bem de Deus que já lá existia, vendo apenas depois o mal, sendo que ainda assim, o olha com misericórdia e sempre com Esperança.
 O olhar do cidadão do Reino é limpo e puro, não vê apenas o mal e nem tem prazer no mal no próximo.
 Da limpeza de coração procedem as dinâmicas da vida e a contemplação do divino no próximo.



  Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus; - Mateus 5:9-10

  Outra grande felicidade, que Francisco de Assis, Tolstoi, Gandhi, Martin Luther King Jr e outros experimentaram.
 O pacificador é aquele que traz paz. A paz é comunicação da paz interior, mas tem de se manifestar exteriormente.
 A shalom hebraica, que traduzimos por paz, era dependente da paz social, pois a paz social era a justiça individual e comunitária de todo Israel. Quando o povo obedecia ás ordenanças de amor da Lei, havia equidade e justiça social, todo o individuo era dignificado e cuidado, tendo o que era essencial à vida. Era uma comunidade que vivia em paz, sem assimetrias económicas, sem miseráveis e sem pobres, sem elites opressoras, com todos a ter o mesmo acesso a a educação, trabalho, terra, etc...
 Todos tinham os mesmos direitos e deveres. Todos eram cuidados, especialmente os vulneráveis como viúvas e órfãos. Os estrangeiros deveriam ser tratados como eles israelitas gostariam de ter sido tratados no Egipto, de acordo com a ordenança em Levítico.
 A paz depende do equilíbrio psíquico de todos indivíduos consigo mesmos, com Deus e com o próximo, criando assim uma sociedade justa e em paz.
 Ora quando Jesus veio, não havia paz social, pois os romanos oprimiam económica, cultural, política e etnicamente os judeus. O que Jesus fez foi dar-lhes do Espírito que traz a paz de Deus, intima, não dependente de condições exteriores, mas que os conduziria a promover a paz social. Foi isso que a Igreja fez e vemos em Actos dos apóstolos, pois tinha tudo em comum, cuidavam de todos sem excepção e sem acepção de pessoas, criando assim uma comunidade justa e de paz social de equidade, no meio de uma sociedade injusta.
 Ora foi isto mesmo que Gandhi e Martin Luther King Jr fizeram, entre outros, pois não se conformaram com as desigualdades sociais, que oprimiam e tornavam infelizes muitas centenas de milhares de indivíduos.
 Falo deles porque eles são bom exemplo de pacificadores, pois foram pessoas pacificas, que não respondendo ao mal com mal, nem à violência com violência, ainda assim pacificamente denunciaram as injustiças sociais, que roubavam a paz à sociedade.
 Eles conseguiram-no, com coragem e sem medo da morte.
 Foi também isso que Jesus fez por excelência.
 Foi isso que a Igreja primitiva também fez, criando uma comunidade fraternal e igualitária, dentro de uma sociedade injusta, a qual denunciavam com seu puro estilo de vida, assim como com denuncia verbal, nunca destituída de amor e misericórdia no tom.
 Uma comunidade de indivíduos em nome de Cristo, que apenas se juntam e manifestam socialmente contra o aborto e homossexualidade, mas que não se juntam para marchar nas ruas e denunciar o capitalismo, a corrupção, a má educação, o mau serviço publico de saúde, o desprezo pelos estrangeiros, assim como todas as injustiças e assimetrias sociais, tal comunidade não é de Cristo; mas antes é do anti-cristo, pois a comunidade do anti-cristo é apoiada por seus discípulos e é comunidade que monta um estado que faz guerras e explora países e seus próprios cidadãos em assimetrias nacionais e globais.
 O verdadeiro cidadão do Reino chega aqui ao ponto de lutar pacificamente contra as injustiças sociais que roubam a paz dos indivíduos e consequentemente a paz social.



  Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus;
Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa.
Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós. - Mateus 5:10-12

  Estas 3 ultimas bem-aventuranças, são o culminar cristico da plenitude da felicidade. É até loucura falar disto, sem o ter vivido em sua mais radical forma, a qual é o martírio, mas o Espírito nos leva a entender. Percebe-se que quando Estêvão está a ser julgado e prestes a ser martirizado, que ele já está mais com os pés noutra dimensão do que aqui. Percebe-se que ele está já possuído de uma alegria e êxtase, assim como ausência total de medo, que são inexplicáveis à mera racionalidade e psicologia. Estêvão estava completamente em sintonia com o Espírito, contempla já o Messias, sabe que vai partir, e na morte perdoa seus inimigos.
 Isto é incompreensível para nós, mas na fé se percebe.
 Os cidadãos que chegam a este estágio de transformação espiritual, estão já em tremenda comunhão com o Espírito. Veja-se Paulo e outros, como Pedro, que quando perseguidos e espancados, regozijavam-se por sofrer em nome de Cristo, ou seja, no propor do Reino.
 Intui-se pela fé que tal gozo advém precis
 O ego com suas dinâmicas de auto-preservação e auto-promoção, leva-nos paradoxalmente a ser infelizes, quando o que mais deseja é ser feliz, mas seus instintos são contrários à Verdade. Só a Verdade faz feliz e a Verdade é o altruísmo do Amor do Reino. Nós queremos desesperadamente ser felizes, mas paradoxalmente boicotamos nos, deixando-nos levar pelos instintos do ego.
 Por isso quando chegamos ao ponto de crucificar o egoísmo radicalmente, com consciência pacificada, sem vaidade, aí acontece inexplicável Felicidade e Bem-aventurança.

  Por isso resta-nos exultar e alegrarmos nos pelo Reino que está proposto, mas para tal temos de pegar nossa cruz e segui-Lo no Caminho da crucificação do ego.
 Não tenhamos medo, o ego só boicota nossa felicidade.
 Tenhamos coragem, não depende de nós e nem de nossos recursos, mas sim do Espírito e da obra do Cristo, nosso Senhor Jesus.
amente pelo crucificar intenso e tremendo do próprio ego, que é instintivo, auto-promotor e completamente auto-preservador. Quando o individuo já não teme a morte, quando imita Cristo de forma genuína na proposição do Reino, então é verdadeira e totalmente feliz.



Conclusão:

Assim sendo resta-nos exultar e alegrarmos nos pelo Reino que está proposto, mas para tal temos de pegar nossa cruz e segui-Lo no Caminho da crucificação do ego.
 Não tenhamos medo, o ego só boicota nossa felicidade.
 Tenhamos coragem, não depende de nós e nem de nossos recursos, mas sim do Espírito e da obra do Cristo, nosso Senhor Jesus.

  No demais, Jesus continuou sua explanação do sermão do Monte, relembrando a Lei e seus mandamentos de amor, mas frisando que têm de ser verdade interiorizadas. 
 Moisés teve sua síntese da Lei da Velha Aliança no Decálogo e também depois a Lei aplicada ás mais variadas circunstâncias da vida quotidiana do povo.
 Da mesma forma Jesus, o Messias Profeta, o Filho de Deus, o mediador de uma Nova, Melhor e Eterna Aliança, dá-nos a Lei desta mesma Aliança, não abolindo a Antiga; mas antes cumprindo-a, sublimando-a, iluminando-a, escrevendo-a em nossos corações pelo seu Espírito, no qual falou seu Decálogo de 10 bem-aventuranças, assim como também depois fez exposição ao quotidiano da vida do povo dos mesmos princípios das ordenanças da Lei do Amor.
 Jesus traça aqui o seu próprio retrato, o do Homem plenamente feliz e alcança tal felicidade começando por a falar no monte da Galileia e encarnando tal felicidade e Verdade no monte do Golgota.

  J.P. Maia, a viajar no Espírito até ao sopé do florido e verdejante Monte da Galileia, longe do inóspito Monte Sinai, ouvindo o seu Messias, que está sentado, tranquilamente falando a Palavra da Lei do Amor, hoje compiladas nas Escrituras Inspiradas, em fins de Maio de 2014.

As bem aventuranças - o Decálogo do Messias (Parte II - As beatitudes interiores)


Vejamos então as 4 primeiras bem-aventuranças, que são como dizia intrínsecas, que são de inicio e entrada no Reino do Messias:
 

E Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos;
E, abrindo a sua boca, os ensinava, dizendo:
Bem-aventurados os mendigos de espírito, porque deles é o reino dos céus; - Mateus 5:1-3.

  Sim, a palavra no original é mais forte que pobres, é mendigos mesmo, gente completamente falida, gente em bancarrota, gente paupérrima, gente sem recursos alguns.
 Começamos nossa caminhada consciente no Reino apenas se reconhecermos que somos caídos, que não temos dentro de nós recursos espirituais para ser felizes e nem temos recursos em nós para o Reino da Plenitude da Felicidade exclusiva do Amor.
 Por mais que gurus e novas religiões o desejem, por mais que queiram glorificar o Homem, apenas em Jesus o Homem é dignificado e sublimado. Apenas em Jesus. E Jesus veio porque nós não damos conta do recado sozinhos. A história de Israel mostra que o povo não consegue viver a Verdade. A Verdade da Palavra é de natureza e essência contrárias à nossa natureza de essência egoísta, e isto porque estamos caídos. 
 Nós sozinhos, dentro de nós, por mais que desejemos, não temos recursos psíquico-espirituais para chegar a Deus e à felicidade verdadeira.
 Glória ao Cordeiro!
 Nós entramos no Reino dos céus não porque somos bons, mas porque Deus é bom e supre nossas necessidades. O Homem é contrário à ética do divino que é Amor e altruísmo.
 Felizes os mendigos de espírito, pois o mendigo reconhece que nada tem e que necessita,  pelo que por isso pede, por isso implora com desejo intenso, que lhe seja dado o que lhe faz falta e é imprescindível. O Reino dos céus é dos que reconhecem que em si não há recursos espirituais nem psíquicos, que estão falidos, mas que desejam e pedem com intensidade que de graça lhes sejam dados os recursos espirituais do Reino dos céus. 
 Ora sabemos da mensagem do Messias Jesus que tais recursos são seu próprio Espírito Santo.
 Nem mais, sem o Espírito Santo o homem não é templo do Altíssimo, nada pode. Deus é que vem ao nosso encontro, morre e ressuscita pelo juízo que nos dizia respeito, de graça, sendo que na mesma graça nos dá de seu Espírito para que sejamos transformados à sua imagem. Isto é dignificar o Homem e é glorificar a Deus.
 Começamos reconhecendo nossa extrema necessidade de recursos espirituais, que Jesus supre, pois dá-nos o Espírito de Deus e nEste oferta-nos o Reino dos céus.


  Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados; - Mateus 5:4.

 E quando recebemos de seu Espírito, tornamos nos ainda mais despertos e sensíveis à nossa bancarrota espiritual e à nossa falência psíquica e existencial. Mas essa tristeza é consolada pelo Consolador que nos foi dado por sermos mendigos do espiritual. Sim, o Espírito faz-nos ver nossas misérias e bancarrota, supre nossas necessidades e não nos deixa em condenação, pois Ele consola-nos. Ora a consolação depende da Esperança e a Esperança sabemos que é confiar e esperar o melhor de Deus por vir, ao nosso interior e ao universo.
 E é isso mesmo que o Espírito de Deus faz, Ele consola-nos, perdoando-nos, motivando-nos a melhorar, transformando-nos, fazendo de nós pessoas melhores e à imagem do Filho, algo que nós por nós mesmos jamais seriamos capazes. O Espírito consola-nos, mostrando o que seremos, o que poderemos fazer de bom nEle e o que o mundo será no futuro.


  Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra; - Mateus 5:5.

 Agora suprida nossa necessidade espiritual pelo Espírito de Deus, consolados por Ele pelo perdão, motivados por um nosso ser melhor e pela expectativa de  uma  sociedade melhor, tornamos nos mansos e humildes. Fomos mendigos e consolados, entendemos que o salmo que fala de herdar a Terra mansamente, é um salmo messiânico que ensina que na Lei do amor está o dar e ofertar, em vez de negociar, vender, possuir, comprar, consumir, acumular.
  É num ser livre de consumismo e de ser possessivo, é num ser que não pretende conquistar coisas para si, é num ser que não vê as coisas como minhas, mas antes como nossas; é neste ser que está a felicidade e é a este ser que Deus dará a Nova Terra. Como dizia Paulo, tudo o que é de Deus é de Cristo e tudo o que é de Cristo é nosso. 
 Já não há elites, todos somos seus cooperadores e sacerdotes. Todos somos reis da Terra com Ele, sentados com Ele nos lugares altos, seus co-herdeiros. Tudo é nosso porque a nada nos apegámos e tudo pretendemos ofertar, logo as coisas são nossas em vez de as coisas nos possuírem, pois quando as coisas nos possuem, não as conseguimos dar.
  A condição mansa e humilde erradica do ser o desejo de competição, de ser predador, de ser o maior, de possuir, de conquistar, de violência, de opressão. Por isso já na própria Antiga Aliança, a Lei mandava cuidar do estrangeiro, partilhando com ele a terra, assim como a terra era distribuída por todos equitativamente; sendo redistribuída novamente sempre que necessário, pois quando alguns acumulavam e ficavam com terras de outros, nos anos de jubileu e de 7 em 7 anos, dividas eram perdoadas e equidade era implementada para que todos tivessem o mesmo e a mesma dignidade.
 Não seria diferente com o Messias, pois ele não vinha abolir a Lei, mas antes vinha sublima-la, ilumina-la e implementa-la nos corações dos homens.
 Todas as nações que se dizem cristãs e fazem guerras de conquista de terras em egocentrismo e etnocentrismo, são na verdade discípulas de um anti-cristo. Todas as comunidades sem igualdade e equidade são comunidade de um falso cristo.



  Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos; - Mateus 5:6

  Esta é a ultima bem-aventurança intrínseca, que abre porta para as exterioridades do homem que é justo e espiritual e o manifesta no exterior sem hipocrisia.
 A palavra no original é Dikaiosunê - que significa uma justiça de equidade, de imparcialidade.
 Ora o homem que era mendigo do Espírito, que foi Consolado chorando suas misérias e iniciou processo de transformação sendo manso e humilde, é ainda esfomeado e sedento de justiça. Porquê? Ora muita gente tem confundido este fome e sede de justiça, como o desejo de alguém, que sendo um discípulo de Cristo que sofre perseguição e injustiças, clama a Deus para que se lhe faça justiça. Mas não é isto que Jesus aqui afirma. O que Jesus aqui afirma é precisamente o contrário. A questão do individuo que sofre injustiças e pede justiça a Deus é mencionada por Cristo, mas apenas na bem-aventurança numero 8, a que é a 4ª bem-aventurança exterior, de obras exteriores.
 Então do que trata esta fome e sede de justiça?
 Ora esta fome e sede de justiça trata da verdade de que em nós não há recursos e é recorrente este sentimento nos santos, assim como é bom que se o tenha sempre antes de começarmos nossas boas obras. 
 Jesus fala da justificação pela graça, ou seja, da justificação que há em Cristo, nos seus méritos e perfeição e que nos são imputados a nós injustos e imperfeitos. Não esqueçamos que para ser injusto basta cometer uma injustiça e que para ser justo é necessário não cometer nenhuma injustiça nunca e portanto ser perfeito e infalível.
 Antes de começar a falar das bem-aventuranças, ou seja, da felicidade daquele que faz boas obras no Reino, antes disso, Jesus lembra que o individuo feliz do Reino, é o que antes de fazer boas-obras tem sempre consciência de que é imperfeito e que necessita sempre de ser justificado pela graça. O individuo novamente reconhece suas limitações, sua imperfeição, suas lacunas, suas vulnerabilidades, sua necessidade do auxilio divino. 
 Esta felicidade não é a de um individuo que vive em condenação, mas a de alguém que em alegria e felicidade reconhece sua fome e sede de ser justificado pela graça, pois reconhece que em si não há justiça, porque a justiça divina é perfeita.
 Antes de fazer boas obras justas, o justo lembra que foi mendigo do Espírito, que foi Consolado, transformado em alguém humilde, mas que ainda assim não conseguiu ser perfeito e que o bem da justiça tem de lhe ser imputado gratuitamente por Deus.
 O individuo reconhece sua fome e sede de justiça, que no original tem a ver com justiça de equidade, sabendo nós que por melhores que sejamos, por mais que tenhamos sido transformados, continuamos ainda a ser pessoas com egoísmo. É verdade que estamos a ser transformados. É verdade que melhoramos, é verdade que nossa consciência mudou, mas também é verdade que ainda não somos Cristo, ainda temos o ego a ter de ser constantemente crucificado e ainda falhamos. Sim, ainda falhamos, pelo que precisamos de como Paulo viver de fé em fé no Evangelho que nos justifica gratuitamente em Cristo, no poder do Evangelho.
 Sim, temos já consciência do Reino, temos já o Espírito e somos consolados, por isso somos humildes e mansos, reconhecendo que ainda há injustiça em nós e por isso não somos ainda como Cristo, pelo que estamos esfomeados e sedentos de justiça de equidade em nós.
 O ser egoísta não é de justiça e equidade, pois é parcial e está mais centrado em si que no próximo, ainda que seja já do Reino.
 Paulo dizia aos filipenses: quanto a mim não julgo que o haja alcançado, mas uma coisa faço, a qual é, esquecendo-me das coisas que para trás ficam, prossigo para o alvo, que é a soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.
 O cidadão do Reino, mendigou o Espírito e o recebeu, chorou suas misérias e foi Consolado, por isso se tornou manso e humilde, sendo que nesta humildade, reconhece diariamente, constantemente, que está num processo, que é ainda alguém imperfeito, pelo que está esfomeado e sedento por ser justificado. Ora só pode ser justificado no Messias Cordeiro. A nenhum homem é comunicada justiça e equidade sem ser gratuitamente pelo Cordeiro.
 Então, pela graça, o sedento e esfomeado de justificação de equidade, é fartamente alimentado por Deus. Fica de barriguinha cheia, pois em Cristo está toda a justiça justificadora. gratuitamente.
 Então nesta condição de consciência de necessidade do Espírito, no Consolo das misérias perdoadas e da humildade adquirida, o cidadão do Reino com a Esperança do Consolo, prepara-se para manifestar sua condição feliz e do reino ao exterior, pelas suas boas obras, não sem antes se lembrar sempre de que também ele necessita de gratuitamente ser justificado.
 Nesta altura do processo, já o cidadão do Reino tem a Lei do Amor da Nova Aliança do Messias escrita em seu coração.

As bem aventuranças - o Decálogo do Messias (Parte I)

Introdução




 Em Mateus 5, vemos Jesus num monte da Galileia, a proferir sua síntese do Reino dos Céus, que é o Reino de Deus, começando com seu Decálogo de 10 bem-aventuranças, as quais se explicarão, mas antes vejamos como Jesus chega ao Monte:

  Para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías, que diz:
A terra de Zebulom, e a terra de Naftali, Junto ao caminho do mar, além do Jordão, A Galileia dos gentios;
O povo, que estava assentado em trevas, viu uma grande luz; aos que estavam assentados na região e sombra da morte, a luz raiou.
Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus. - Mateus 4-14-17

  Ora na Galileia começara o juízo de Deus sobre seu povo, pois quando Israel se desvia em suas idolatrias, Deus através de seus profetas pede arrependimento e avisa que virá juízo sobre o não arrependimento das muitas mazelas psíquico-sociais, que Israel trazia à sua própria sociedade, que deveria ser a comunidade do amor da Lei de Deus.
 Como sabemos, o reino de Israel dividiu-se após a morte de Salomão, em reino de Israel ao norte e reino de Judá ao sul.
Israel, o reino do norte, perverteu-se mais rapidamente que Judá.  Deus enviou seus profetas a ambos estados e sociedades.
 Mas Deus começou por exortar Israel, pois este se perverteu mais rapidamente. Depois Deus também exortou a Judá. Nenhum dos reinos se arrependeu, pelo que Deus teve de os julgar e corrigir. Israel foi o primeiro a ser corrigido, sendo levado para o cativeiro atroz da Assíria.
 Mais tarde é também Judá que vai para o cativeiro, pelas mãos dos babilónios.

  No Reino de Deus há juízo, ainda que muitos líderes e referências espirituais falem do contrário. Por causa do legalismo, fanatismo e outros paradigmas farisaicos de acusação sem graça e perdão do amor, alguns indivíduos que amam a metafisica e as coisas espirituais, caíram no outro oposto de dizer que Deus não exerce juízo, o que é falso, perigoso e sobretudo anti-Evangelho, ou seja, anti-Cristo.
 Deus é juiz, pois Deus é justiça, sendo que sua justiça flui precisamente de seu amor. Por ser Amor, Deus é um juiz amoroso! Deus exerceu seu juízo na cruz, em Cristo, pelo que negar o juízo de Deus significa negar o Cristo verdadeiro, o Cristo crucificado-ressurrecto.
 Também no ultimo dia da história, Cristo virá em juízo sobre os que não amam, a fim de inaugurar a plenitude do Reino do Amor, pelo aperfeiçoamento escatológico de todos e de todo o universo, que foi criado para o amor e não para a perversão. Deus tem de exercer juízo.
 Ainda bem que Deus exerce juízo e que o exerce como exerce, pois exercendo-o expurga o mal do universo; sendo ainda que o faz com muita paciência e mansidão, dando a todos sem excepção, através de sua graça, o privilégio de se entregar a Ele para viver num universo redimido de todo mal.
 Por mais que life-coachers, gurus e pessoas que vendem auto-ajuda, pretendam enaltecer e glorificar o homem subtilmente, a verdade é que Deus exerce juízo e nós precisamos de arrependimento. Mas devemos também entender que o Deus-Amor é muito paciente e sobretudo eficiente e efectivo em nos transformar processualmente na graça de seu amor. Por isso Paulo fala de caminharmos de glória em glória e de fé em fé, em Cristo e no seu Evangelho.
 Falar do Pai e de Cristo como ambos sendo Deus-Amor, sem no entanto falar de Cristo ofertado em juízo de amor pelo Pai na cruz, para nos salvar e a partir daí nos dar de seu Espírito, o qual nos transforma à imagem de Cristo; é vã-glória, é vaidade, é apenas psiquismo e racionalismo humanista de pretensão espiritual, pois é apenas mais uma religião da Terra que tenta chegar a Deus pelos próprios recursos humanos.
 Não nos equivoquemos, o Homem está mesmo caído, destituído da glória de Deus e afastado de Deus. Ora tal afastamento não é feito por Deus.
 Deus não se escandaliza e nem se afasta. Deus não se escandaliza de nossa queda e de nossas falhas para com o Amor.
 A quebra do amor é o pecado, o qual não faz mal a Deus e jamais o escandaliza, pois Ele sabe bem do processo inevitável que conduz do primeiro e caído psíquico Adão, até ao segundo e derradeiro Adão -  Cristo, o Homem Espiritual.
 Deus está afastado de nós não geograficamente, pois Deus é omnipresente. Deus está afastado de nós Humanidade, porque a Humanidade é que se afasta de sua natureza e essência pura de Amor. Sim, a Humanidade afasta-se e Deus a busca através do Filho.
 Portanto devemos nos regozijar porque somos queridos a Deus e Deus revela a loucura de seu amor para alem do bem e do mal, na cruz do calvário, onde histórica e tangivelmente foi encarnado tal Amor eterno por nós.  O Homem é a menina do olho de Deus, se me permitem o antropomorfismo, pois somos homens e comunicamos o inefável em linguagem de Homem.
 Deus nos ama louca e intensamente e por isso criou o universo, para que sejamos sua família.
 Um deus que exerça juízo sem prévia paciência e sobretudo sem Amor que graciosamente nos salve, não é o verdadeiro Deus-Amor.
 Um deus que pretenda ser o Deus-Amor, mas que não exerce juízo sobre o não-Amor e que sobretudo não encarna para em louco amor morrer  e ressuscitar por nós, a fim de nos salvar para o eterno universo do reino exclusivo de Amor, não é o verdadeiro Deus-Amor.
 Ora por reacção compreensível em repugnância para com o legalismo e fanatismo neo-farisaico, muitos rejeitam a verdade de que nós somos seres caídos, que precisam de se arrepender e cujos corações estão destituídos da glória de Deus. Caem no extremo do humanismo e gnosticismo que sempre afirmou a falácia de nossa bondade intrínseca e recursos interiores próprios para salvação.
 O Reino de Deus está em nós, disse Cristo, mas temos de o buscar no Espírito, pois sozinhos não chegamos lá.
 Não se pretende aqui agradar a neo-fariseus e nem a neo-gnósticos, ambos pensando que por si sós lá chegam, sendo que os primeiros crêem que podem efectuar performance de perfeição ética, e os segundos julgam ter em si a bondade, a inteireza e os recursos espirituais para acessarem o Reino do Divino, sendo que ambos não reconhecem a sua queda e necessidade de salvação.
 Ora Jesus é um médico enviado a toda a Humanidade, mas só salva os que querem consulta com ele, declarando-se doentes. Ora isto mesmo não é humilhar e aviltar a dignidade humana, é apenas realismo e verdade que permite que sejamos curados e sublimados por Cristo à condição de Humanidade perfeita.
 Por isso precisamos de nos arrepender, sabendo que arrependimento é metanoia, que significa mudança de consciência. Mas esta mudança de consciência, apesar de não ser apenas sentir-se mal pelo que se fez de mal, é também isso.
 A metanoia é uma transformação interior que é processual e envolve a totalidade do homem. Não é apenas sentimentos pelo mal do passado cometido, tipo remorso. Mas também não é apenas racionalizar destituído de emoções, que o que se fez estava errado e que agora se fará o que é certo.
 Metanoia, arrependimento, é mudar de consciência, sentindo que o que se fez foi mal, sentindo alguma tristeza para com o mal cometido, mas não tristeza de condenação. Deve-se sentir a tristeza de que Paulo falava aos corintios, o contristar operado pelo Espírito na nossa consciência que opera vida. Ficamos contristados pelo que fizemos, ganhamos consciência de como devemos ser, superamos a tristeza pelo perdão e consciência da graça e tornamos nos pessoas melhores. Mas passa por admitirmos nossas falências quer em termos de performance não ética, quer em termos de má gnose, má consciência.

  Mas voltemos a Jesus e ao sermão do monte galileu e ás 10 bem-aventuranças.

  Isaías profetizara que na Galileia, antiga terra das tribos de Neftali e de Zebulom, chegaria primeiro a luz do Messias, pois Deus em seu louco Amor julgara primeiro a Israel,  mas também salvaria primeiro a esta mesma região do norte de Israel: a Galileia.
 Onde começara em amor a exortação, começara também em amor o juízo pelo não arrependimento diante da exortação; mas também aí começaria primeiro a revelação do Messias e do Amor da luz do Divino. E Deus manifesta-se também primeiro entre a Galileia das nações, ou seja, entre gentios, deixando para depois Jerusalém, a Judeia e o Templo; uma vez que Jesus começa seu ministério em Jerusalém na Páscoa, conforme vemos no evangelho de João, mas de imediato vai para a Galileia, onde se manifesta com mais intensidade.
 Então Deus encarna em Jesus, o qual vive na Galileia, o qual é o Messias, pelo que na Galileia em trevas à mais tempo, chega primeiro a luz.
 Quão loucos e lindos são os juízos de Deus!
 Deus falou do Monte Sinai, deu a Aliança, mas em terrível som, com trovões e tremor de terra, com o povo cheio de medo pela presença da pureza e majestade Santíssima do Altíssimo. Moisés foi o veículo de temporária Aliança. Moisés profetizou que viria outro profeta como ele, no sentido de ser mediador de Aliança com Deus.
 Mais tarde os profetas profetizam que o mediador da Nova Aliança será o Messias.
 Israel percebe então que o mediador da nova Aliança, que será eterna, será promulgada pelo Messias, pelo que o Messias é também o Profeta de que falou Moisés.
 Isaías vai mais longe e diz que o Servo Messias será morto, mas ressuscitará e justificará a muitos e seu nome será majestoso e altíssimo, sendo que tais títulos são prerrogativas exclusivamente divinas. Isaías profetiza que o Messias terá prerrogativas divinas - Isaías 52-53.

  Vemos então Jesus, o Cristo, o Profeta mediador de uma Nova Aliança, que como Moisés, dá a Palavra da Aliança no Monte, mas desta feita não um monte terrível do deserto, mas antes um verde, bucólico e tranquilo monte da Galileia, na Terra Prometida.
 No Sinai o povo não conseguia e não suportava ouvir a voz de Deus transmitir sua Palavra de Aliança. O ambiente era terrível, pois era tempo de primeiro o povo conhecer a Majestade, Pureza, Integridade e consequente Terribilidade da Plena Pureza Divina.
 Agora o povo podia ouvir a voz de Deus transmitir a Palavra da Nova Aliança. O mediador como Moisés era Jesus, o Profeta, mas que era também o Messias, o Rei do Reino dos Céus. Jesus era também Deus, pois Isaías previra que o Messias teria prerrogativas divinas como já mencionei, alem de que em Jesus, Deus fala directamente com o povo. Sim, Jesus é que fala a Palavra da Nova Aliança de Deus, pois Jesus é Deus e por isso a pode falar.
 É num monte na Galileia, onde houve primeiro o juízo de Deus, no meio de gentios, que Deus decide ofertar sua Nova Aliança e a Palavra de seu Reino.
 O povo escutava sereno e tranquilo. Deus Filho falava. Moisés dera 10 mandamentos, que o povo já percebera que eram Lei de mandamentos de amor para a comunidade. O povo já percebera que não os conseguira viver por si só, pois ter gnosticismo, conhecimento da Verdade, não chega para viver a Verdade.
  Então o povo sabia que as ordenanças da Lei, eram mandamentos de amor, e era isso que ensinavam as escolas rabínicas, tanto a de HIllel, quanto a de Shamai.
 O povo já entendera que não conseguia obedecer à Lei do Amor, e sabia do juízo que viera por isso mesmo. O povo esperava que o Messias viesse e que através dele Deus fizesse Nova Aliança, mas desta feita que eles a conseguissem viver.
 Eles sabiam que não conseguiam viver a Lei de amor. Alem disso eram oprimidos também por fora pelo jugo romano.
 Mas vamos então ás bem-aventuranças, de nosso Novo Moisés, do Filho de Deus, que apresenta seu Decálogo como 10 motivos de exultação, 10 motivos de felicidade, 10 razões para ser alegre e verdadeiramente humano.
 As palavra bem-aventurança é no original grego: Makarios. Esta palavra significa plenamente feliz.
 Sim, agora podiam regozijar-se, porque seria possível viver a Lei do Amor.
 Jesus propõe seu Decálogo de bem-aventuranças, como apontamento do que permite o Homem entrar no Reino de Deus, sendo que tal caminho começa no interior, é primeiramente intrínseco, depois então torna-se extrínseco, ou seja; Jesus como o Messias e Profeta, implementa a Aliança com Deus, que deve ser escrita no coração e não em tábuas de pedra, pelo que assim o povo poderá finalmente encarnar a Palavra de Deus que desce dos céus, conforme profetizou Jeremias.
 Por isso as 4 primeiras bem-aventuranças são intrínsecas, de movimentos no interior do Homem, de consciência assimilada do Reino de Deus. As restantes 6 bem-aventuranças são o resultado das 4 primeiras, são a visibilidade do que sai do coração do Homem.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Bom natal a todos e Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens do beneplácito de Deus...

“Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens do seu beneplácito” Lucas 2:14. – Esta é a tradução correta do texto e faz toda a diferença como ideia de verdade comunicada, aqui em português de hoje! Está então o texto escrito como: Glória a Deus nas alturas e sobre a terra paz e beneplácito de Deus aos homens! Mas que significa esta declaração dos anjos, da parte de Deus, para a Humanidade?



 Este texto do Evangelho Escrito é sobejamente conhecido, especialmente na altura em que se celebra o natal. Mas o que significa? Infelizmente, como com tantas porções das Escrituras, tem sido incorretamente interpretado.

 Em algumas vezes até mal traduzido. Eis uma das más traduções que mais vigoram e que fluem de incorreta interpretação espiritual e exegética das Escrituras: glória a deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens de boa vontade.

 Ora vamos ao texto; gloria a deus e paz para os homens. A glória de deus não pode ser produzida pelo homem…

 Deus é glorioso e pronto! A glória de deus é o simples facto de sua perfeita beleza, de sua natureza amor e de sua pureza e santidade.

 Por isso a glória de deus não pode ser produzida pelo homem, nem aumentada e nem diminuída. Tem a ver simplesmente com sua natureza boa-perfeita e plena!

O Homem tudo o que pode fazer é apenas reconhecer a glória de deus!

 O homem pode reconhecer a glória de deus ao divulga-la, assim como a natureza por deus criada; ou seja, o Homem e a natureza, podem ser um espelho dessa glória, pura e simplesmente porque deus graciosamente criou o Homem á sua imagem e semelhança e porque a natureza revela atributos de seu criador, assim como uma obra-prima de um pintor revela atributos artísticos e geniais de seu autor genial.

 Sabemos que infelizmente o homem criado á imagem de deus, tem esta mesma imagem ofuscada, manchada, pervertida, e tem até se tornado no oposto dessa imagem boa…

 A forma de o homem espelhar a glória de deus é encarnando seu amor, sua perfeição e a partir daí relacionar-se em comunidade com o próximo, criando uma comunidade de serviço mútuo de amor e prazer de relacionamentos altruístas, e isto numa comunidade na terra, onde esta é tratada como um jardim.

 Deus é excelso, inefável, transcendente, e ele é glorioso; e daí o texto dizer gloria a deus no excelso, ou no português comum: nos céus, nas alturas, na dimensão que transcende o universo e que religiosamente chamamos de céus.

 A gloria de deus transcendente, tornando-se visível na terra pela paz com que a comunidade humana vive, espelhando assim a gloria da imagem de deus, que é pacifica, amorosa e justamente harmoniosa.

 Esta paz é apenas possível contrariando a natureza caída do homem, a qual é egoísta e donde fluem as guerras e todos os desequilíbrios e desarmonias de todos os relacionamentos sociais.

 Desarmonias dentro do próprio individuo que não se sabe relacionar consigo mesmo e foge de introspeção, assim como desunião entre familiares, desarmonias na vizinhança, desarmonias entre diversas comunidades, entre diversas regiões, entre diversas etnias, entre diversos países, entre diversas ideologias, entre diversas religiões, entre diversos hemisférios e que se refletem na forma com que se trata e relaciona com a terra: o jardim…

 Então, a maneira da glória do deus transcendente que não vemos, ser manifesta no mundo material e tangível, concretiza-se quando a comunidade humana vive em paz, que implica não egoísmo, ou seja, implica amor verdadeiro-altruismo…

 Ora tal coisa parece utopia e o homem não pode e nem consegue produzir esta paz, ainda que o deseje ou tente. Isto porque a tendência do homem é desejar apenas seus interesses e daí as guerras, injustiças e desarmonias.

 O homem desejar a paz, reconhecer a necessidade de ética, já é bom, mas isso não chega, pois os desejos mais intrínsecos, instintivos e naturais do homem querem e trabalham em prol do egoísmo, desarmonia e guerra… No entanto alguns homens desejam e querem esta paz, mas sozinhos não a conseguem promover, pois o homem tem a natureza inversa a isso mesmo…

 É precisamente das tentativas do homem produzir paz e harmonias, que surgem as mais diversas religiões de moral e ética que se tornam códigos vigentes das comunidades, como o foi e é o judaísmo, o islamismo, a cristandade secular, etc…

 No entanto tal reconhecimento e desejo de ética e o desejo de a impor ás comunidades não produziu paz…

Veja-se a história! A ética dos judeus, islâmicos, cristãos, etc, impediu-os de fazerem guerras? Não criaram e criam enormes desarmonias? Claro que sim! É um facto histórico! A única forma da glória de deus se espelhar na terra é através do homem a viver em paz social.

 Mas o homem não consegue promover a paz de deus, que é sempre paz e harmonia social.

Então tem de ser o próprio deus a promover essa paz que por sua vez reflecte sua glória.

 A consciência ética apenas tem trazido, ou neuroses de culpa obsessiva, ou a ilusão de que se é perfeito; e daí depois o julgar-oprimir o próximo que aparentemente não se comporta da mesma forma…

Era isto que havia no tempo de Jesus. Homens crentes num deus único, monoteístas, ético-morais, mas no entanto iludidos de que eram irrepreensíveis diante de deus, julgando-se por isso no direito de serem condenadores-opressores dos menos bem comportados e não tão religiosamente maquilhados quanto eles.

O homem por si só não consegue promover a paz. Por isso deus em omnisciência totalmente sábia, havia previsto que seu filho encarnasse e se fizesse homem, para nos trazer-ensinar a paz.

 Jesus é esse homem-deus! Jesus encarnou, viveu entre nós, ensinou a verdadeira paz, cresceu em graça diante de deus e dos homens. Só Jesus como deus podia trazer e produzir a paz. Só Jesus homem podia abraçar incondicionalmente e viver plenamente a paz de deus.



Por isso: ao Cordeiro, só a ele, toda a glória.



 O Cordeiro de Deus Jesus é a paz-graça de deus, o favor imerecido de deus.



Jesus assumiu nossas culpas, para que crendo nisso, deixássemos nossas culpas e fossemos curados das neuroses obsessivas promovidas pelo sentimento dessas mesmas culpas, e nessa cura fossemos curados de toda a psico-somatologia a ela associada, assim como deixássemos de julgar-condenar-nulificar o próximo; marginalizando-o e impedindo que ele se reescreva em santidade, tantas vezes quanto necessárias for, nem que sejam 70x7, que é todo tempo da história humana revelada a Daniel.

  Para conseguir a reconciliação de cada individuo com deus, consigo próprio e com o próximo, Jesus teve de morrer e depois ressuscitar, pois o amor sempre triunfa.

 E depois de ressuscitar, Jesus foi para o Pai, mas não nos deixou órfãos, sós, novamente entregues apenas a nossos esforços vãos de tentar produzir paz.

 Jesus tornou possível que ele e o Pai nos oferecessem de seu Espirito a viver em nosso coração.

Jesus tornou possível que o homem se tornasse templo de deus, o único templo de deus e onde o deus transcendente e excelso deseja morar.

 Sim, o deus da glória nas alturas deseja morar em nossos terrenos corações e promover em nós e á nossa volta a paz. Por isso também o Espirito é Emanuel, deus connosco.

 O Espírito Santo, sobretudo Ele, é Emanuel… Ora este projecto de deus em sua omnisciência, existe desde antes da fundação do mundo! A esta boa vontade divina chama-se beneplácito de deus.

 Beneplácito é um termo jurídico dos estados monárquicos e imperiais, em que o rei que governa pode decretar boas leis e medidas, que por isso mesmo, sendo da boa vontade do rei, se denominam beneplácito.

 Ora de Deus que é o verdadeiro e eterno rei, perfeitamente bom, só poderia sair um decreto régio e divino, de uma vontade plenamente boa, a implementar entre os homens.

 A palavra que aparece neste trecho de lucas é no seu original: "eudokia", a mesma palavra que aparece usada por Paulo como beneplácito em sua epístola aos Efésios, que como foi dito, é a boa vontade de deus a ser implementada, o decreto régio-divino de deus para seu reino-universo.

 Eis a consciência de Paulo disto mesmo, não esquecendo nós que Lucas usou também esta expressão no evangelho, sendo que Lucas era discípulo de Paulo e escreveu seu evangelho com testemunhos de discípulos que andaram com Jesus, também através de testemunhos de Maria, a mãe de Jesus; assim como escreveu com o discernimento espiritual que obteve, mediante seu discipulado com Paulo, acerca do que esses factos históricos significam espiritualmente.

 Mas eis o beneplácito em Paulo aos Efésios, logo no capítulo 1:

 Bendito o deus e pai de nosso senhor jesus cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em cristo;

 Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor;

 E nos predestinou para filhos de adopção por jesus cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade,

 Para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no amado,

 Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça,

 Que ele fez abundar para connosco em toda a sabedoria e prudência;

 Descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo,

 De tornar a congregar em cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra;

 Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade;

 Com o fim de sermos para louvor da sua glória, nós os que primeiro esperamos em cristo;

 Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o espírito santo da promessa.

 O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória.



Ora então visto isto: “Gloria a deus no excelso e paz na terra entre os homens de seu beneplácito!”



Uma vez que o homem não consegue promover a paz, em geral não a deseja, quando a deseja e tenta por si só cria religiões opressoras, uma vez que assim é, o homem é impotente e ineficaz para implementar a paz de deus que se reflecte em tudo.

 Sendo assim só deus consegue implementar esta paz no nosso meio. Se só deus a consegue implementar e não a merecemos, a paz é graça de deus.

 A paz é dom imerecido de deus. Por isso o homem não deve ser vaidoso e deve reconhecer que a paz só deus a implementa, de acordo com sua vontade eterna de criar para si o homem a viver em paz e em tudo o que paz implica.

 Então o texto não é: paz aos homens de boa vontade. A boa vontade só deus a tem.

 O texto é: “…paz na terra aos homens do beneplácito de deus!” O texto significa paz aos homens que reconhecem que são imperfeitos e mesmo com deus a operar-morar em seu meio, ainda são imperfeitos, sendo que tal paz é processual e promovida pelo Espirito em nós.

 O beneplácito de deus é para todos, mas nem todos o aceitam.

 Alguns querem continuar a viver descarada e transparentemente em seus egoísmos-guerras-desequilíbrios, enquanto outros querem ter a vaidade-ilusão de que são eles que são bons e promovem a paz e tudo quanto é de deus, delirando nesta ilusão vaidosa que será a agenda do Anticristo, julgam-se superiores aos demais e julgam-oprimem-nulificam-marginalizam o próximo.



Foi isto mesmo o que fizeram os fariseus. Foi isto mesmo o que fez o cristianismo em geral, salvo excepções mártires como Martin Luther King Jr, Gandi, John Huss, entre outros poucos e outras poucas pessoas com a sorte do apóstolo João e Francisco de Assis, em apenas serem perseguidos sem serem martirizados…

 É que o beneplácito de deus é para todos, mas nem todos o aceitam.

 Os declaradamente opostos á ética não o aceitam. Os ético-religiosos também não aceitam, uma vez que fingem querer a paz e éticas divinas, mas criam apenas sistemas de auto-promoção e auto-preservação, assim como condenação do próximo.

 Este último, o cristianismo institucional, é o embrião do sistema do Anticristo, que ainda se implementará mais na Humanidade, até que o catolicismo case de novo com o ortodoxismo greco-eslavo e com o protestantismo, como já o fizeram, no século XIX, quando constituíram a Santa Aliança; a fim de destruírem a sociedade da revolução francesa, de ideais de igualdade, liberdade e democracia, tão contrária á sociedade cristã de reis, nobres e clero - opressores do povo.

 O beneplácito de deus é imerecido, é graça pura da natureza amorosa-graciosa de deus a querer trazer Paz, a Shalom de Deus

 O beneplácito de deus é para todos, mas só o usufruem os que abraçam a graça de deus e deixam o Espirito processualmente promover essa paz, ainda que sofram guerra da parte dos religiosos vaidosos que rejeitam graça, ou dos declaradamente egoístas.



Só deus tem boa vontade. Só deus decreta e faz o que dura para sempre.



O Anticristo virá e seu espirito já anda aí, com estrutura-sistema de falsa paz.

Paz superficial, efémera paz económica, efémera paz ecológica, éfemera paz político-militar, efémera paz religiosa-ecuménica, enfim: pax romana…



Ele, o Anticristo, virá, para aparentemente resolver todas as guerras e desarmonias, mas seu espirito já anda aí, no meio daqueles que dizem ter a paz e promover a paz, sem dar a vida pelo próximo, apenas com vaidades ético-comportamentais. Paz falsa de psicologia behaviourista.



Moços, isso não é beneplácito de deus…



O beneplácito de deus é graça a trabalhar em nosso coração, daí a humildade e gratidão, daí não haver vaidade, daí haver constante confissão de falhas sem obsessões neuróticas da culpa da lei…

 A graça processual traz gradualmente paz-harmonia-altruísmo ao nosso ser.

 Gradualmente porque nossa natureza se lhe opõe. É só ler romanos 7.

 Gente de Deus, então se fomos salvos pelo favor imerecido de deus, se fomos salvos pela exclusiva obra de deus, não terminemos na carne, tentando acabar a obra da santificação-aperfeiçoamento em paz, ás custas de nosso insuficiente esforço, na ilusão que ignora que só os méritos de Cristo nos valem; assim como nossas obras de aparente justiça são aos olhos divinos como trapos de imundícia.

 Abracemos o beneplácito da graça poderosa e suficiente de deus.

 Abracemos a graça e depois vamos partilha-la com todos! Gente de deus, vamos dar aos que não merecem e agradecer aos que merecem.

 Deixemos deus produzir graciosamente paz em nosso meio e deixemos deus na cruz nulificar as vaidades e culpas da lei.

 Abracemos a graça. Interpretemos com o Espirito Santo o Evangelho nas Escrituras, para que das Escrituras tiremos Palavra de verdade e não lei.

 Como se deus desse paz aos homens que a merecem! Ora se os homens a merecessem, seria porque a promoveram, sendo que assim, deus apenas cumpriria a obrigação de pagar o que devia ao homem.

 Nossa vontade jamais é boa. Por isso devemos sempre orar todos dias, toda a hora: seja feita a tua vontade, boa perfeita e agradável.

 Aceitemos seu beneplácito régio-divino, seu evangelho.



Aceitemos tão grande, escandalosa e louca graça…



J:P. Maia, novamente debaixo da sombra do beneplácito do Logos feito carne no Cordeiro Jesus, em 23-12-2014.

sábado, 13 de setembro de 2014

On every moment, feeling mixed with you

On every rising sun,
I feel your heartwarming,
calming my delirious frozin` storm,

On every sunset on the southern see,
I see memories of you,
descending and drowning my pain before me,

On every aching purple bloody dawn,
I remember your love rising me,
to fullfill one more step on the parade of perpetual new reborn,

On every sleeping night,
a dream of you and sweet inocent francis,
will be scatering all fear and its fright,

On the next indian summer,
I will follow the holly drummer,
on extasy and songs of ascent,
touching you and smeling your scent,

And then again there will be the descent,
To feel the ground barefoot,
close to your milky skin,
in the coming of our Victor and all its kin,
burning all the temporary prophetic lament,

Yes, on every moment, feeling mixed with you...

J.P Maia always remembering purple haze, francis, the Victor ant its blaze on mid september 2014

sábado, 6 de setembro de 2014

Todos devemos ser Pessoa



Todas as pedras afiadas de elite que encontrei no caminho de vales profundos e montes elevados, guardei, pois estou a construir meu palácio de exílio, profeticamente partindo-as e sobrepondo-as, para lhes dar algum significado, a estas várias malditas pedras-gente, que gostam de des-significar o próximo.
 Faço-o enquanto exploro peregrinamente a única pedra graciosa na qual não tropecei, mas antes me sublimei e transcendi: Logos Cristos -  quintessência de todas as quimeras do Amor que é Pátria, em todos rostos sem lar mendicantes e meus semelhantes; cujo brilho do olhar miserável é enigmaticamente messiânico, como eu, sempre a caminho, sempre navegante, sempre desalojado, sempre insatisfeito.
Assim navego e peregrino, construindo palácios de exílio, certo que o Amor veio e virá, pois só o Amor é e será, após a demorada antemanhã de nevoeiro, que teima em esconder a inadiável aurora que anuncia um terrível e eterno novo dia, onde todos terão de ser iguais e apenas Pessoa...

J.P Maia perto do verão indio de 2014, esperando em Cristo, como bom português, fugir e exilar-me da religião do intimo, em terras distantes e próximas do Amor que é omnipresentemente pátrio...

domingo, 31 de agosto de 2014

A cura da mulher com o fluxo de sangue, apontando para o novo templo e novo sacerdócio


A cura da mulher com o fluxo de sangue havia 12 anos e o novo templo e novo sacerdócio



…”e será que, quando entrarem pelas portas do átrio interior, se vestirão com vestes de linho; e não se porá lã sobre eles, quando servirem nas portas do átrio interior, e dentro.
Gorros de linho estarão sobre as suas cabeças, e calções de linho sobre os seus lombos; não se cingirão de modo que lhes venha suor.
E, saindo eles ao átrio exterior, ao átrio de fora, ao povo, despirão suas vestiduras com que ministraram, e as porão nas santas câmaras, e se vestirão de outras vestes, para que não santifiquem o povo estando com as suas vestiduras.”…
Ezequiel 44:17-19

…”e eis que chegou um dos principais da sinagoga, por nome Jairo, e, vendo-o, prostrou-se aos seus pés,
E rogava-lhe muito, dizendo: minha filha está moribunda; rogo-te que venhas e lhe imponhas as mãos, para que sare, e viva.
E foi com ele, e seguia-o uma grande multidão, que o apertava.
E certa mulher que, havia doze anos, tinha um fluxo de sangue,
E que havia padecido muito com muitos médicos, e despendido tudo quanto tinha, nada lhe aproveitando isso, antes indo a pior;
Ouvindo falar de jesus, veio por detrás, entre a multidão, e tocou na sua veste.
Porque dizia: se tão-somente tocar nas suas vestes, sararei.
E logo se lhe secou a fonte do seu sangue; e sentiu no seu corpo estar já curada daquele mal.
E logo jesus, conhecendo que a virtude de si mesmo saíra, voltou-se para a multidão, e disse: quem tocou nas minhas vestes?
E disseram-lhe os seus discípulos: vês que a multidão te aperta, e dizes: quem me tocou?
E ele olhava em redor, para ver a que isto fizera.
Então a mulher, que sabia o que lhe tinha acontecido, temendo e tremendo, aproximou-se, e prostrou-se diante dele, e disse-lhe toda a verdade.
E ele lhe disse: filha, a tua fé te salvou; vai em paz, e sê curada deste teu mal.”…
Marcos 5:22-34

Ora já bastante tem sido dito sobre a mulher doente com fluxo de sangue havia 12 anos. Não vou repetir o que já foi dito. Sinto necessidade de no entanto partilhar algo de suma importância que nosso Salvador revelou nesta ocasião e que seu Espírito gravou na memória dos discípulos, que por sua vez o gravaram no que hoje são as Escrituras do novo testamento:

De Jesus saiu virtude curadora e a doente agira em fé. Com sua fé a doente afirmara que se somente tocasse suas vestes ficaria sarada, integra, reparada…

Ora sabemos que a fé é a convicção de algo estabelecido na consciência do individuo e que tal convicção deve ser fundamentada em revelação de Deus, ou seja, a fé é a consciência que alguém tem da Palavra de Deus, seja esta comunicada directamente pelo Espírito de Deus ao individuo, ou seja o Espírito de Deus a revelar a Palavra nas Escrituras ao individuo que a lê.

No tempo de Jesus todo o Israel aprendia a ler e escrever através das Escrituras dos 6 aos 12 anos e todos deviam assistir regularmente na sinagoga, pelo que todo o Israel era exposto às Escrituras, ainda que infelizmente a maior parte não discernia a Palavra nas Escrituras, porque as Escrituras eram ensinadas distorcidamente pelos rabis fariseus e pelos saduceus. 

A liderança religiosa de Israel, que possuía o púlpito e a autoridade de instrução, os fariseus e os saduceus, viviam da religião e julgavam-se os mediadores da revelação de Deus, interpretando as Escrituras à sua maneira e guiando o povo no erro de sua falta de discernimento da Palavra.

No entanto havia uma minoria que tinha verdadeiramente fé e que iluminada pelo Espírito de Deus ansiava pelo Messias e discernia a Palavra nas Escrituras. Por isso vemos uns poucos terem fé em relação a Jesus, como o ancião e a anciã que adoravam a Deus no templo de Herodes, quando Jesus menino é apresentado e circuncidado com oito dias de vida.

Com a mulher do fluxo de sangue, em termos de fé e discernimento da Palavra, processo semelhante aconteceu. Esta mulher revelou ter fé em Cristo discernindo-o através das Escrituras e sobretudo pelo que ouvira e quiçá vira da própria vida encarnada do Verbo de Deus.

Esta mulher vivia doente, definhando, quase moribunda, falida economicamente, desalentada pela incapacidade da medicina e ostracizada-marginalizada pela comunidade de Israel sob a vigência da Lei, que exacerbada e mal interpretada pelos profissionais da religião fariseus e saduceus, determinava que uma mulher com fluxo de sangue era impura e devia estar afastada de toda a comunidade durante o tempo de seu fluxo de sangue, que no seu caso eram já 12 anos ininterruptos… 

Em alguns casos a elite religiosa era sem amor e em outros casos, apenas faziam o que a Lei mandava. Ora a Lei foi revelação de Deus, mas não plena, sendo que era apenas sombra da realidade que viria com Jesus, numa pedagogia divina infantil. Sendo assim, os fariseus eram injustos na mesma, pois se amassem a Lei que era sombra de Jesus, ainda mais amariam a Jesus, a plenitude de Deus. Mas os religiosos preferiam a sombra à realidade, preferiam apenas intuir a forma de Deus a mover-se atrás do véu, a contemplarem o próprio Deus face a face nos olhos de Jesus.

A Lei não era tão poderosa, nem tão salvadora e nem tão amorosa quanto Jesus, sendo que quem a preferia a Jesus, rejeitava de facto a plenitude de Deus...
Era desesperante a situação da senhora, em todos os aspectos - estava falida economicamente. Falida emocionalmente. Falida psíquico-socialmente, etc…

A senhora estava desesperada, tentara tudo havia 12 anos, restava acomodar-se e esperar a morte. Quem sabe até, o que é muito provável, estava já cheia de má auto-estima, crendo que era culpada de tal situação e por isso estigmatizando-se neuróticamente a si mesma; tal como lhe fazia o resto da sociedade adoecida de fobias e obsessões de culpa da lei, nas mãos dos ministros da condenação: os fariseus e saduceus.

Esta senhora, esta crente, era verdadeiramente pobre, miserável, falida de espírito, falida de recursos espirituais.
Mas sua história muda porque aparece Jesus por toda a Galileia e arredores… A fama do poder de Jesus espalha-se… Mas não só… Espalha-se também a fama de seu amor, a radicalidade de sua mansidão, coragem e amor, pois convidava para seu séquito marginal rudes pescadores, publicanos, meretrizes e outros desgraçados, permitindo-lhes reescrever processualmente sua história à margem de lagos, ribeiros, colectorias, montes, casas, planícies, etc… 

Ou seja, alguém com poder miraculoso e prédica da Palavra que suscitava a inveja dos que monopolizavam o púlpito e sacerdócio; manifestava tudo isto com amor até então jamais visto e vem assim a suscitar esperança na desesperançada, exaurida e paupérrima de espírito...

Alguém cheio de graça e de amor deambulava por toda a região donde esta senhora era oriunda, fazendo chover dos céus imerecidas bênçãos sobre os mais falidos dos humanos...
Na verdade cumpria-se a profecia de Isaías: o norte de Israel que estava afastado do centro político e religioso de Jerusalém, primeiramente que Judá, recebera a exortação e juízo de Deus às mãos dos assírios, no entanto este mesmo norte de Israel era agora, ainda antes da Judeia, a primeira região a experimentar a loucura da teimosa manifestação da graça de Deus, que através de Jesus fazia aquela gente em trevas contemplar a luz –
A terra de Zebulom, e a terra de Neftali, junto ao caminho do mar, além do Jordão, a Galileia das nações; o povo, que estava assentado em trevas, viu uma grande luz; e, aos que estavam assentados na região e sombra da morte, a luz raiou. Mateus 4:15-16…

Mas porque então postei o texto de Ezequiel logo no início desta partilha, conectando a Palavra nesta porção das Escrituras, com o evento messiânico diante da doente com o fluxo de sangue?! Que tem tal texto a ver com a mulher do fluxo de sangue?! Tem tudo a ver maninhos!

A Antiga Aliança, a Lei, revelava ao povo apenas a sombra do evangelho. O evangelho, a Nova Aliança de Jesus, trouxe a plenitude da revelação de Deus, assim como a plenitude de sua natureza amorosa e do poder deste mesmo amor-essência de Deus. Era a plenitude da bênção! E plenitude absoluta das bênçãos, não porque o povo fosse melhor aquando do tempo da encarnação de Jesus, mas porque as bênçãos divinas são imerecidas e como tal também a encarnação de Jesus! A encarnação graciosa do próprio Deus para salvar todos os injustos humanos de todos os tempos.

No tempo da bênção e revelação limitadas da antiga aliança, ainda assim Deus, sem o povo o merecer, manifestava-se no seio do povo, redimia suas transgressões graciosamente e distribuía-lhes bênçãos. Deus manifestava-se especialmente no templo e antes do templo no tabernáculo. Era naquela geografia pequena e restrita que Deus se manifestava. E os sacerdotes como elite religiosa mediavam entre Deus e os restantes homens.

 Os sacerdotes eram imperfeitos como todo o homem e graciosamente podiam oferecer sacrifícios de expiação de suas falhas e das do povo. Não era o sacerdote, mas sim a unção e o sangue do cordeiro, que efectuavam a obra graciosa da redenção e santificação de todos homens imperfeitos.
Por isto dito, em Levítico, vêem-se as minúcias de tal revelação, onde se constata que o sacerdote ungido e coberto pelo sangue do cordeiro imaculado torna-se santo, assim como tudo o que tocar o cordeiro sacrificado e assim como toda a roupa debaixo da unção e do sangue do cordeiro.

Deus queria ensinar que era apenas Ele e não os homens quem salvava, o sangue inocente, a unção de Deus, sua presença imerecida. Neste sentido tudo o que tocava o sangue e a unção era santificado, e as vestes do sacerdote assim eram. 
Sim as vestes do sacerdote estavam debaixo de unção e do sangue do cordeiro, de forma que as vestes sacerdotais, tal como tudo o que era debaixo do sangue e da unção, não podiam sair do templo, para que a santidade de Deus não saísse da geografia do templo; uma vez que naquela Velha Aliança, sem a plenitude da Nova, a presença de Deus era restrita ao templo. A presença de Deus estava  no Santo dos Santos do templo e apenas um homem, o sumo-sacerdote, aí podia entrar, uma vez apenas por ano.

Era tempo de ensinar às gentes a diferença entre sagrado e profano, através de duas geografias, uma sagrada e outra profana, para que depois de tal lição infantilmente aprendida, pudessem mais tarde outras gerações aprender que a geografia do sagrado é a consciência pura e santificada a viver em toda a terra…
Era necessário começar a ensinar a verdade com pedagogia infantil, a fim de que a sociedade depois de assimilar tal verdade de profano e sagrado, pudesse então interiorizar essa verdade de forma madura, na consciência, no intimo, pelo Espírito derramado na plenitude dos tempos…

Mais tarde Ezequiel, sacerdote e profeta, vê a queda de Jerusalém e a destruição do templo e vê a glória de Deus – Shekina - sair do templo de pedra para habitar com o povo na Babilónia, onde seu povo estava em cativeiro
Deus mudava-se da geografia sagrada do templo na santa terra prometida de Israel, para a terra dos perversos babilónios, onde corrigia seu povo Israel, ao qual Deus não abandona, mostrando assim também que sua é toda a terra. Deus corrigia o povo, mas não o abandonava, apenas corrigia. E nessa correcção, estava presente sua glória no meio deles.

Ezequiel levado cativo para a a Babilónia, vê nas margens do rio babilónio, o Quebar, que a glória da presença de Deus sai do templo de Salomão e vai para a Babilónia. Estamos aqui diante de um avanço de revelação e manifestação da presença de Deus, a caminho da Nova Aliança; pois Ezequiel vê que no período do cativeiro da Babilónia, Deus passa a estar onde seu povo está, seja onde for, deixando assim de estar restrito exclusivamente à presença geográfica limitadíssima do templo de pedra e da peça de mobília sagrada que era a arca da Aliança.

 Para Deus importante mesmo é estar no meio de pessoas e não em templos de pedra. Deus começava a apontar para a plenitude da revelação e bênçãos da Nova Aliança.
Ezequiel vê profeticamente a restauração do sacerdócio e do reino através do Messias e simbolicamente dá directrizes, conforme Levítico, acerca de tal futuro novo sacerdócio e lembra que as vestes dos sacerdotes serão santificadas e que por isso santificam aquilo que tocarem, pelo que não devem sair para fora do templo a fim de não santificarem fora do templo.

Então sendo assim parece que Ezequiel volta ao mesmo de antigamente não é?!
Parece que Ezequiel volta às mesmas premissas infantis do sacerdócio levita!
Primeiro Ezequiel parece trazer nova revelação: vê-se a glória de Deus a desprezar o templo de pedra e a buscar o povo que ama e do qual não desiste, ainda que o povo seja momentaneamente objecto de sua correcção e ainda que o povo esteja numa geografia perversa como a Babilónia; mas depois Ezequiel parece voltar às antigas formas do sacerdócio Levítico com directrizes sobre as vestes sacerdotais e a circunscrição do sacerdócio e ministério, na exclusividade geográfica de entre quatro paredes do templo de pedra…

Parece que o profeta volta atrás à Antiga Aliança! Mas não é assim! Graças a Deus que não!
Se quiser, e eu aconselho-o a tal, leia mais de Ezequiel e veja tudo acerca do Novo Templo que ele vê profeticamente e que de tal Novo Templo depende o novo sacerdócio e assim verá então que tal templo não pode ser feito por mãos humanas, conforme o maninho Caio Fábio explica-ensina tão bem na sabedoria do Espírito!

As dimensões do templo de Ezequiel parecem quânticas, têm uma medida exterior, mas conforme entramos no templo vêem-se coisas e medidas incomparavelmente maiores que as medidas do exterior. Seria como entrar dentro de um quarto de 10metros quadrados e dentro desse mesmo quarto estivesse toda Lisboa…
Esta revelação de Ezequiel, aponta para um templo com medidas exteriores, mas cujo interior é incomparavelmente maior que seu exterior, ou seja, Ezequiel profetiza de um templo de Deus cujas dimensões intimas são infinitamente superiores ás exteriores, falando do Reino de Deus no intimo, das realidades da Nova Aliança, que são intrínsecas e não mais apenas exteriorizantes e comportamentais.

Trata-se neste Novo Templo da realidade de Deus habitar em toda a Terra, mas sobretudo no intimo dos homens, que é de dimensão incomparavelmente maior. Trata-se do Homem como Templo.

E no templo que Ezequiel vê tudo está sagrado, a natureza, construções físicas, as pessoas, seres angelicais e naturais como palmeiras, tudo, tudo, toda a natureza e toda a criação de Deus é visto como sagrado…

O que ocorreu então? É que nesta passagem de Ezequiel, colocada logo no inicio deste meu texto-partilha, se lermos todo o texto imediatamente precedente a este texto na bíblia em Ezequiel, constataremos que a maior parte dos levitas é rejeitada, menos uma porção de descendentes de Zadoque, que foi fiel a Deus e do qual Deus chamou sua descendência sacerdotal…

Ora a casa de Zadoque era da tribo de Levi e misturou-se com a de David antes e depois do cativeiro da Babilónia, pois um dos filhos de David, do qual Maria descende, casa com uma das filhas de Zadoque, sendo que estas mesmas casas sacerdotais e reais voltam a unir-se após o cativeiro, pela união da casa de Zorobabel (casa real de David descendente de Judá) e a de Josué (casa de Zadoque descendente de Levi)… 

Jesus era descendente de David e de Zadoque por intermédio de sua mãe que descendia de Josué e de Zorobabel. No entanto Jesus foi e é verdadeiramente sacerdote da ordem de Melquisedeque que é uma ordem superior e eterna…

O primo de Jesus: João baptista, assim como seu pai Zacarias e sua mãe Isabel, prima de Maria, mais a restante família de Maria, eram levitas da ordem de Zadoque… 

Ezequiel diz que de Zadoque virá o verdadeiro levita, uma vez que os antigos levitas estão todos rejeitados à excepção desta família… No tempo de Jesus, Zacarias, o pai de João baptista, seu primo, era sacerdote levita e da ordem de Zadoque. No entanto em termos oficiais a casa de Zadoque não detinha a liderança do sacerdócio, e isto porque a liderança do povo de Deus estava pervertida e os saduceus não honravam a  profecia da Palavra, deixando a casa de Zadoque na relativa obscuridade, deixando-os apenas serem meros sacerdotes, colocando na liderança e no sumo-sacerdócio, gente que apenas detinha poder politico corrupto e não era da casa de Zadoque, ou seja, gente liderando sem chamado de Deus corrompendo o povo de Deus.

No entanto ainda que reinasse Herodes que não era de Judá e ainda que o sacerdócio estivesse oficialmente nas mãos de gente que não era da casa de Zadoque, ainda assim o verdadeiro Rei era Jesus Cristo da casa de David de Judá; e o verdadeiro sumo-sacerdócio era o seu e seus sacerdotes eram todos seus discípulos. Também João o baptista, da casa de Zadoque, da casa de Levi, filho do sacerdote Zacarias, ainda que oficialmente não fosse sacerdote, era verdadeiramente profeta, como Jeremias, que também podia ter sido sacerdote, mas o recusou por estar pervertido o sacerdócio, preferindo ser profeta marginalizado.

Assim aprendemos que nem sempre o sacerdócio oficial é o de Deus e nem a liderança, assim como aprendemos que maior parte das vezes, como com Jesus, João baptista, Jeremias, entre muitos outros, ser Servo de Deus implica obscuridade, recusa á perversão do sistema da religião oficial e institucional em nome de Deus, implicando tal obscuridade uma marginalidade peregrina em desertos dos quais é enviada a Palavra do Senhor!

Ora em Jesus cumpre-se tal profecia e como Ele é acima de tudo da ordem de Melquisedeque, nele fundem-se os dois sacerdócios e ele é sumo-sacerdote para sempre. Jesus é tal sumo-sacerdote e ainda faz sacerdotes a todos quantos chama a si, sem excepção alguma; conforme Pedro e João constatam que são todos indivíduos das mais variadas etnias que crêem em Jesus: reis e sacerdotes, sacerdócio real e nação santa! Bendita plenitude de Deus! 

Quem quer voltar atrás à Antiga Aliança quando hoje todos somos e podemos ser sacerdotes e reis ungidos em Cristo Jesus que nos sentou com Ele em seu trono celestial e nos tornou seus co-herdeiros do seu universo, se agora sofrermos com Ele e pegarmos nossa cruz crucificando nosso ego?!

Então vemos com Ezequiel que os sacerdotes do Novo Templo não podem vestir roupa de lã, roupa quente que faça suar! E porquê roupa que não faça suar? Porque Ezequiel diz que Deus não quer nosso suor de ilusão redentora! Deus não quer nosso esforço sacerdotal vaidoso que julga ser sumo-sacerdotal salvador! Deus não quer nossas obras pseudo-messiânicas!

O suor e sangue do cordeiro orante-suplicante no jardim das oliveiras, são suficientes e exclusivos para salvação, pois a nossa eficácia sacerdotal está em sermos cobertos pelo sangue e pela unção do cordeiro supliciado em nosso favor! 

Somos apenas sacerdotes cooperadores de tão omnipotente sumo-sacerdote e sem Ele nada podemos fazer e nele todos sem excepção são cooperadores. Apenas Ele é o Ungido e a Cabeça e nós estamos debaixo de tal Unção.

Soli deo gloria! Deus não quer nossas obras redentoras porque nós não redimimos nada! Ele quer nossas obras e suor, mas com consciência de que são apenas obras limitadas e jamais redentoras e messiânicas. Nossas obras e suor redentor-salvador não existem. Nosso serviço é leve. O dele foi pesado! O suor de obra redentora sacerdotal só o Cordeiro teve.
Então nenhum de nós é o fera, o Ungido ou D. Sebastião salvador…

E quando Ezequiel diz que as vestes dos sacerdotes não devem sair do templo não está a dizer que no futuro o reino de deus seria uma “igreja” de pedra com um sumo-sacerdote de título de pastor com vestes especiais, armani ou assim, ou com a atitude elitista ainda que de roupa diferente, a manifestar a monopolização que tivesse do poder e amor de deus; e ainda assim só naquele espaço físico do endereço de tal “igreja”, donde tal pastor é rei e Messias! 

Nada disso! Isso seria voltar ao Antigo Testamento! Aliás seria pior, pois no tempo da Antiga Aliança era assim porque era o tempo da sombra da plenitude. Era o tempo da sombra de Cristo, enquanto hoje desprezar a plenitude de Cristo para voltar  apenas à sombra de Cristo seria loucura! Seria como crucificar-rejeitar de novo o Cristo!

Como já vimos no templo que Ezequiel profetiza, toda a criação de Deus redimida no cordeiro é o templo, porque Deus materializa seu reino para sempre e João vê a nova Jerusalém, a Igreja noiva do Cordeiro a descer dos céus à terra, sendo que nesta cidade viva do Deus vivo não há templo feito por mãos de homens e o Cordeiro é sua luz!

Deus materializa seu reino em plenitude, redimindo perfeitamente e para sempre toda a matéria, inclusive os corações dos homens! Esta é a ardente expectativa da criação que geme pela final redenção total aquando da vinda do Filho do Homem!

Mas voltemos agora à nossa doente de fluxo de sangue.
Então, fruto do paradoxal encontro de seu desespero com as notícias da fama de Jesus, a senhora marginal excluída ganhou esperança e esperança como nunca tivera e agiu como heroína da fé…

Ela tomou a coragem e expôs-se. No seu tempo os lideres fariseus ensinavam-ministravam apenas culpa e condenação. Eles disseram a Jesus que ele não podia perdoar pecados, pois só Deus podia ser juiz e perdoar pecados e nenhum homem o podia fazer! Eles invocavam o facto de que Deus não dizia nas Escrituras para o homem perdoar pecados!

 No entanto eles eram os carrascos, os hipócritas que se julgavam perfeitos e condenavam-marginalizavam os que pecavam, sendo que no fundo para eles, Deus apenas era ministério de condenação e eles eram sua ferramenta humana. Eles usurpavam a condição de juiz exclusiva de Deus, pois só o juiz pode condenar! De forma que para eles ninguém pode perdoar o próximo, pois só Deus juiz pode absolver, mas eles podiam ser juízes-condenadores!

E se alguém tivesse doença ou alguma mazela existencial era conotado e estigmatizado de pecador e amaldiçoado de Deus. Imagine-se as repercussões de tal mensagem na mente de pessoas religiosas e simples e imagine-se a culpa e desespero!
 Os sacerdotes jamais iriam consolar alguém impuro. Jamais iriam orar por tal doente. Jamais resolveriam o problema de tal pessoa e tal pessoa jamais poderia visitar o ambiente do templo deles, o ambiente do sagrado, pois se o fizesse seria expulsa e/ou apedrejada.

Jamais os sacerdotes carnais teriam a perspicácia no Espírito para avançar para além da Lei, para fora do templo, a caminho do enfermo e pecador, discernindo a graça do simbólico Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo… Só quando estivesse boa é que ela poderia ir até eles… Que dilema é a religião, pois como se poria ela boa per si própria?!

Mas aquela mulher ouvindo falar de Jesus expôs-se sem medo e creu que resolveria seu problema e afirmou: se tão-somente tocar suas vestes! Se tão-somente tocar suas vestes! Porquê? Porque na mente dum judeu, conforme Levítico, as vestes sacerdotais estão santificadas por Deus devido ao sagrado da unção e do sangue consagrador do cordeiro!

Ela acreditou que alguém como Jesus só poderia ser o verdadeiro sacerdote de Deus e assim sendo suas vestes estariam sacralizadas pelo seu contacto, afinal ele era o Cristo, o plenamente ungido e era ele a oferta ungida, o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo! Ela foi de encontro à autoconsciência de identidade de Jesus, que confrontado pelos fariseus por transgredir a Lei do sábado ao deixar seus discípulos apanhar espigas, respondeu que David comeu pães da proposição com seus homens, sendo que dizendo isso Jesus e os seus comparava-se a David e seus homens.

Comparar-se a David é afirmar-se o Cristo, o filho de David, o qual foi sacerdote da ordem de Melquisedeque, pois além de rei era profeta e agiu como se fora sacerdote ao comer dos pães com consciência pura e outras liberdades que teve no templo, alem de toda a sua unção profética e sua consciência sacerdotal no salmo do sacerdócio da ordem de Melquisedeque – salmos 110.

Jesus comparou-se aos sacerdotes, invocando o facto de os sacerdotes quebrarem a Lei ao sábado para circuncidarem um recém-nascido de oito dias, pelo que se auto-proclamou implicitamente sacerdote, mas ministrando fora do templo. Os fariseus percebiam suas afirmações e por isso se escandalizavam.

Alem disso, Ele afirmou-se maior que o templo de Herodes. Ele afirmou-se como o templo de Deus. Ele afirmou-se como sábado de Deus, o dia em que Deus cria para procurar-encontrar o homem no descanso de seu amor individual e comunitário na terra que criou para tal comunhão idílica…

Grande foi a consciência daquela senhora que creu que não podia e nem tinha de ir ao encontro dum templo de pedra, pois estava-lhe distante, era-lhe proibido e ninguém lá a aceitaria e teria poder de curar sua “impureza”. 
Os do templo de pedra tinham corações de pedra e a Lei era-lhes algo apenas exterior escrito em pedra e não em seus corações! Não discerniam a essência da Thora – Lei – nas Escrituras. Os fariseus tinham basicamente duas escolas de dois rabis: Shamai e Hillel, mas não perceberam como seus rabis que os mandamentos são directrizes de amor. 

As suas consciências apenas exacerbavam a condenação da lei e apenas vislumbravam impureza e esqueciam-se do cordeiro redentor e purificador. Tinham apenas parte da Lei: o conhecimento do bem e do mal, mas perdiam-se aí e não discerniam o bem maior: a graça de Deus no Cordeiro. Era só condenação e impureza em suas mentes.

E porquê a Lei define como impureza os fluxos procedentes das genitais masculinas e femininas?! Impureza porque a Lei - a consciência ética do bem e do mal - apenas, sem a consciência da graça e do perdão do amor divino, dizia eu, apenas produzem na consciência do homem culpas, taras, neuroses e fobias… E a maior das culpas-taras-neuroses-fobias é o mal que advém da genitália, os pecados e/ou impurezas sexuais…

Não é por acaso que Adão e Eva quando conhecem o bem e o mal, sem conhecerem perdão, sentem-se com medo de Deus e suas consciências sentem-se maculadas-condenadas e a especificidade do erro em sua consciência apenas de ética do bem e do mal, sem a graça, centra-se não na desobediência em si ao mandamento, mas antes fixa-se e exacerba-se no sexo, na nudez do sexo…

Sim, Adão e Eva desobedecem a Deus, adquirem conhecimento do bem e do mal e confluem toda a consciência de prática do mal na sua própria genitália… 
A genitália, parte do corpo onde se devia efectuar a maior união do prazer do amor-essência de Deus, é precisamente aquilo que é pervertido e "diabolizado".

Esse é o efeito da Lei, ou seja, a consciência do bem e do mal sem consciência da graça, em que a culpa vira obsessão e fobia neurótica, e o medo de errar vira ansiedade e o mal fica condensado e preferencialmente personificado na genitália…

Por isso a Lei revelada com a graça velada, no contacto com a mente dos homens, tinha que revelar isto mesmo: a mania da personificação preferencial e favorita do mal na genitália humana…
A culpa de tais fobias não é de Deus. Como Paulo afirmou, a Lei, antes da plenitude dos tempos, teve sua utilidade, a de produzir no homem consciência do bem e do mal e de revelar ao homem a falibilidade de todo o ser humano e a necessidade de redenção graciosa através de um inocente…

A Lei tem essa utilidade, só que quando é assimilada na consciência humana, se não for acompanhada de consciência do amor divino e respectiva graça-mansidão-misericórdia-paciência, o homem desenvolve fobias e neuroses de culpa, preferencial e tendencialmente sublimadas no sexo… 

Por isso é que nos 5 livros da Lei de Moisés, alem da ética do bem e do mal, temos também em Levítico toda a sorte de ofertas graciosas e vicárias do cordeiro para perdoar toda a sorte de pecados. Mas a liderança de Israel apenas focava e lia a ética do bem e do mal na Lei, esquecendo a expiação graciosa do mal em Levítico, que é também parte da Lei de Moisés, onde como disse constam ofertas sacrificiais redentoras do cordeiro por toda a espécie de pecados.

Ora o fluxo de sangue é uma hemorragia através da vagina, através do sexo feminino, logo tem dimensão de culpa neurótica ainda maior… A lei foi assimilada com suas sublimações sexuais e tal é revelação do que a lei por si só apenas faz ao homem… Adão e Eva quando transgridem mandamento divino e passam a  ter consciência da transgressão do mandamento, confluem o sentimento de culpa na genitália, sendo que por isso a tapam, deixando de andar nus...

Mas aquela mulher creu que Jesus era o sagrado de Deus a vir não a um templo de pedra ou a um endereço religioso, mas sim ao próprio quotidiano das pessoas, na vida, no chão do dia-a-dia, em qualquer parte da terra, cheio de graça e verdade do amor e misericórdia do divino… 

Aquela mulher acreditou que Jesus era sacerdote de Deus, gracioso, poderoso no amor infinito, e que o mover de Jesus é extra-muros, salvífico e portanto ao encontro do necessitado, sem qualquer comprometimento com sistemas humanos de gente que julga ser mais que os outros e que seu suor e obras podem produzir redenção e o mover do sagrado…

Jesus inaugurou a eterna era do novo Templo e seu novo sacerdócio: Ele e nós nele na terra, na vida, no caminho, onde só ele é o sumo-sacerdote e onde conforme a epístola aos hebreus, vemos que o antigo templo era apenas figura do celestial…

Sim, o antigo templo era apenas figura do celestial e ele saiu do celestial, encarnou e veio à terra para ser imolado por nós e ressuscitando abriu-nos o caminho para o celestial, na terra…

O celestial está entre nós, concreto, vivo, pleno, de carne e osso e em espírito…

Juntemos-nos a ele extra-muros, para a vida, com consciência que somos todos apenas sacerdotes cooperadores do sumo-sacerdote cordeiro supliciado-ressuscitado. Mas somos todos sacerdotes, sem ilusão de que nosso suor redime e sem culpa portanto de nossa ineficácia para salvar, mas com poder para gritar: toquem-lhes as vestes, toquem-lhe somente as vestes, pois ele é omnipotente e completamente amoroso…

E quem o fizer deixa de estar impuro e passa a ser também sacerdote e mais do que as vestes, passa a abraça-lo e a com Ele cooperar…Este nobre ministério é para todos os que são por ele alcançados, pois todos somos chamados a ser embaixadores, sem acepção de pessoas alguma, todos irmãozinhos do mano velho - o ancião de dias -  que nos salvou e diante do pai não tem vergonha de nos chamar irmãos…!

Ninguém pode redimir senão Ele e ele não vive em templozinhos feitos pelas mãos humanas! Ele vive em todo o lado da terra que é estrado de seus pés… Ele está connosco onde estivermos, seja em Jerusalém, seja onde for, desde que em Espírito e verdade!
Saiamos a Ele!

As pessoas tendem a ser escravizadas e por isso o sistema deste mundo é uma pirâmide social escravizante e a religião é igual… Sem o Espírito de Deus, as pessoas todas, mesmo as religiosas e éticas, tendem a preferir e viver em sistemas opressores onde oprimem e/ou são oprimidas e vice-versa. As pessoas sem o Espírito tendem a preferir a escravidão à liberdade, assim como a glória dos homens à glória de Deus, que é a glória de seu Cristo.
O que prefere você: a glória dos homens ou a glória de Deus?
Saiamos a Ele…

Hoje e sempre com muita coragem, pois Ele vem sempre ao nosso encontro, não fujamos dele e toquemos-lhe nas vestes, e deixemos-nos tocar por seu amor…

Saiamos a Ele e cooperemos com ele extra-muros, sem suor, com alegria, sem medo, com amor, sem ansiedades e fobias de fazermos insuficiente e sem expectativas inconscientes de salvarmos seja o que for…
Saiamos a Ele e vistamos as vestes leves e claras dos que vivem no templo do amor de Deus na terra e essencialmente no coração dos homens…

Façamos como Pedro que começou a deixar de gravitar em torno do templo de Herodes e debaixo da unção de Cristo, na partilha da Palavra da vida, via sua sombra curar os muitos enfermos e oprimidos, que não eram colocados no templo, mas sim no chão da vida e da cidade...

Façamos como Estêvão que viu Deus fazer ainda mais através de si na libertação de muitos, porque estava também debaixo da unção do cordeiro e pregava o Cristo como único templo de Deus...

Façamos como Paulo que aprendeu de Estêvão, cortando definitivamente com a dependência de templos humanos e debaixo da unção do cordeiro, aninhado na consciência e prédica de Jesus como o templo vivo do Deus vivo, via até os aventais com que trabalhava quotidianamente fazendo tendas para seu sustento, serem ferramenta sacerdotais de Deus; pois suas vestes eram as de trabalhador de avental, mas seu coração estava vestido das vestes cooperadoras do autor da vida, o sumo-sacerdote Jesus, de modo que ministrava de graça a graça de Deus, no seu quotidiano laboral, não pelo seu suor, mas pelo suor e sangue que o cordeiro vertera no monte das oliveiras...

Saiamos a Ele e abracemos a glória que não desvanece e fujamos da vã-glória dos homens…
Saiamos e Ele e celebremos com Ele, seja onde for, na praia, nas ruas, em auditórios, em capelas, em casa, mas saiamos da religião a Ele…

J.P. Maia, vestido de linho puro e leve, pela graça do cordeiro, em fins de Agosto de 2014, durante o aquecimento global, em pleno verão, mas sem suar, sem confiar em si mesmo, tocando todos dias nas vestes do cordeiro eterno que o abraçou antes da fundação do mundo…